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Opinião

A REVOLU��O DA F�

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Quando a assembleia de cardeais se reunia para a eleição do papa substituto de Bento XVI, criou-se uma expectativa no Brasil quanto à possibilidade de que o novo pontífice poderia ser um brasileiro. Afinal, alguns nomes do nosso cardinalato, historicamente, eram reais concorrentes. Não diria decepção, mas fomos tomados por grande surpresa quando a fumaça branca surgiu anunciando que a igreja católica tinha um novo chefe. Era da América do Sul, inédito, era argentino. Surpreendente! Juro que senti uma pontinha de ciúme e creio que as mais de 165 milhões de pessoas que povoam esta nação gigante de devotos do catolicismo também sentiram um pouquinho de frustração. Não dá para esconder o ranço que paira no ar, ou, sejamos claros, a má vontade que brasileiros e argentinos nutrem uns pelos outros. Contraditoriamente, o futebol que congrega nações e promove a maior reunião de povos do mundo é o responsável por essa rivalidade boba, isso para não falar da soberba e do notório preconceito dos ?hermanos? com relação aos seus vizinhos do lado de cá. Quinta-feira próxima, comemora-se o primeiro ano do papado de Francisco, o portenho Jorge Mario Bergoglio, torcedor do San Lorenzo que prega e pratica a humildade e dedicação aos que sofrem. Que tem encarado com altivez e coragem os mais complexos problemas que há muito desvirtuaram os princípios e o papel da igreja. Que tenta saciar a sede espiritual da humanidade, como diz Leonardo Boff, fazendo sentido para o espírito. No primeiro ano do seu pontificado, Francisco mexeu com o sentimento da humanidade no mundo inteiro pelo desapego à riqueza, pelos valores que prega, pelas atitudes simples e austeras nas decisões por mudanças. Busca encontrar novos rumos para a igreja católica acusada de irregularidades em sua burocracia e manchada por escândalos sexuais. Perdia o encanto dos seus seguidores. Promoveu a maior de todas as revoluções do bem, aproximou-se dos cristãos quebrando uma barreira de milênios. Nas palavras do próprio papa, ?andar pela rua e misturar-se ao povo, esclarece e humaniza?. A jornalista argentina Evangelina Hemitiam, evangélica, amiga pessoal do papa e que acaba de lançar sua biografia, diz: ?ele se move de forma horizontal, está próximo das pessoas, sejam elas católicas ou não?.

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