Opinião
Uma escala su��a do tucanoduto paulista
Com discrição solene, a autointitulada ?grande mídia? centrada no eixo Rio/São Paulo noticiou que ?Suíça enviou aos investigadores brasileiros cópia do cartão de abertura da conta secreta em Genebra do (...) ex-chefe da Casa Civil do governo (...)?. Os trios de pontinhos, representando interrupção da frase e ocultamento das palavras nos citados intervalos, foram colocados apenas para exercitar o raciocínio do leitor e da leitora. Imaginem se no lugar desses pontinhos, entre parênteses, estivessem os nomes de alguém vinculado ao PT e/ou algum partido aliado seu e se o governo focado na denúncia fosse petista e/ou de alguma sigla aliada... Manchete de canto a canto da página! Com repercussão nos principais telejornais, replicando naturalmente nas indignadas redes sociais, e naquela revista semanal afogueada seus ?calunialistas? vociferariam contra mais uma prova (e não apenas uma suspeita, ou evidência) de outro ato corrupto, criminoso e indigno dessa ?corja?, desses ?petralhas? etc. Mas o caso em questão aponta para o ex-chefe da Casa Civil do governo Mário Covas, Robson Marinho, e se alinha ao tucanoduto que alimenta os sociais-democratas-aristocratas queridos da ?grande? mídia. Daí o zelo silencioso, quase mudo, na abordagem da questão. A investigação sobre o antigo e sempre atuante ninho de corrupção nas administrações tucanas em São Paulo levou até a localização dessa conta numerada, a 17321-1, aberta no Credit Lyonnais Suisse/Credit Agricole, em nome do ex-chefe do Gabinete Civil do governador Mário Covas, Robson Marinho. O depósito de abertura da ?continha? foi de 1,1 milhão de dólares americanos (US$ 1,100,000.00). As suspeitas dos investigadores do Ministério Público Federal apontam para a origem desse dinheiro como sendo mais uma parcela do Caso Alstom, um pesado esquema de ?pagamento de propinas na área de energia do Estado [de São Paulo], entre outubro de 1998 e dezembro de 2002, nos governos Covas e Alckmin? como descreveu, ontem, em sua versão digital, o venerável Estadão. A descoberta da conta numerada desmente as veementes negativas dadas pelo indiciado Robson desde que começou a ser investigado. Mas por que será que esse caso não tem o mesmo destaque de outros, como as contas de Maluf? Por que será?