Opinião
MAIS UMA ADVERT�NCIA CRIST�
Há alguns anos, e já não preciso o ano, fui a Manaus representando a Fapeal, por indicação do então presidente dessa entidade professor José Márcio Malta Lessa. A discussão então travada na mídia e nas conversas era o caso de uma mãe que vendera a filha de 15 anos a um irlandês. No aeroporto, a garota e o traficante foram presos por não possuir os documentos indispensáveis. A reação do irlandês foi irônica: no Brasil tem disso também? Disseram-me que o tráfico no Brasil era coisa sem problemas ou dificuldades. Por este e muitos motivos outros é atual e necessária a discussão do tema lançado pela Campanha da Fraternidade 2014: Fraternidade e tráfico humano. O objetivo é chamar a atenção da comunidade cristã sobre este tipo de crime. A copa do mundo trará ao Brasil milhares de estrangeiros e poderá favorecer a atuação dos traficantes. Mais uma oportunidade de discussão e conscientização sobre o tema. Estatísticas divulgadas recentemente estimam que 20 milhões de pessoas no planeta são vítimas dessa violência; obrigadas e submetidas à exploração sexual. Numa entrevista do teólogo Leonardo Boff, ele afirma que o tráfico de pessoas está em expansão, forte fonte de renda do banditismo, ultrapassando em alguns países o tráfico de drogas e de armas. A definição aceita internacionalmente para tráfico de pessoas encontra-se no Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em especial de Mulheres e Crianças. Segundo o referido Protocolo, a expressão tráfico de pessoas significa: ?O recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração?. De volta a Maceió, tentei pesquisar o resultado da questão da garota vendida pela mãe. E o resultado foi surpreendente. A garota esperneou na alfândega dizendo que o traficante era um bom homem, que ajudava sua mãe e lhe presenteava com sabonetes, perfumes e sorvetes. A Polícia Federal tomou as providências cabíveis.