Opinião
A LUTA DA MULHERES
Os gregos afirmavam que havia, no início, um único ser, poderoso, que resolveu desafiar os deuses. Esses decidiram parti-lo ao meio para torná-lo mais fraco. Desde então, as duas partes vagam pela Terra procurando a sua metade. Trata-se de mitologia, mas a beleza da imagem pode ser resgatada para compreendermos a luta feminina nos dias de hoje. O avanço da humanidade não pode prescindir da força da mulher, da sua inteligência, graça. Somos todos partes de um único ser. Daí, ser algo inacreditável o que ocorreu em 8 de março de 1857, em Nova York, quando operárias americanas que reivindicavam melhores condições de trabalho foram trancafiadas e queimadas: 129 morreram. Vem daí a homenagem, e o dia 8 de março passou a ser o Dia Internacional da Mulher. Até aquela data ? apesar de todas as rainhas que existiram, e existe ?, a mulher estava relegada a um nível inferior na escala social: não opinavam, geravam, mas não geriam, não podiam sequer votar. O voto feminino só foi instituído no Brasil em 1932 depois da luta das chamadas sufragistas, entre elas, Celina Guimarães, a primeira mulher a votar, isso ainda em 1928, no Rio Grande do Norte. No ano seguinte, também no estado potiguar, Alzira Soriano foi eleita prefeita de Lajes. Mas essas atitudes eram gotas num oceano de intolerância. Romper com as barreiras foi o que nos levou a criar a Secretaria da Mulher quando governamos Alagoas. Atitude pioneira, que depois foi seguida por governantes de outros Estados. Os avanços foram notáveis e as mulheres tiveram conquistas importantes, mas essa é uma luta que não tem um prazo para acabar. Temos hoje uma mulher presidente do Brasil, mas, no restante do País, há mulheres sofrendo e morrendo. É por essas que precisamos continuar lutando. É inconcebível o trabalho escravo, a falta de creches e a violência (muitas vezes praticada dentro de casa) ? Alagoas é a unidade da federação recorde em assassinatos de jovens, negros e mulheres. É inconcebível o salário menor, os assédios moral e o sexual. Para muitos homens, a mulher continua uma presa. Deveríamos, sim, voltar ao gregos e buscar a complementaridade, ao invés da subjugação. A busca por respeito, solidariedade e igualdade, como se vê, é algo antigo, que precisa sair dos livros e atingir a plenitude real.