loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Valmir Calheiros e seu grande legado

Ouvir
Compartilhar

?Seu cara!? ? assim, com os colegas carregando numa pronúncia na qual aproximavam o som do ?s? em ?ch?, replicando uma de suas recorrentes expressões ?, o decano era saudado nas redações por quem o conhecia há mais tempo. Valmir Calheiros era o cara. Exemplar como jornalista e como cidadão. Íntegro, estudioso, trabalhador, bem-humorado. ?Seu cara, estou indo mais na Unimed que os funcionários de lá? ? ele explicava, sorrindo, nos últimos tempos, o porquê de não ter atendido a algum telefonema, e, invariavelmente, aproveitava a deixa para pleitear um espaço extra para uma nova matéria, sobre fato histórico relevante, que estava a levantar. Mesmo com a saúde deteriorada, não deixava de produzir, de planejar suas pautas, de pesquisar. Sem dúvida, foi o maior dos pesquisadores no jornalismo alagoano. E que seja destacado o alto nível dos periodistas dedicados a esse labor em nosso estado, a exemplo de Antônio Sapucaia, notável desembargador aposentado e jornalista parceiro de Valmir em várias pautas sobre temas memorialísticos. Ele lega à posteridade também o paradigma da ética como prática cotidiana. Impecável, irrepreensível, sempre foi exemplo de comportamento pessoal e profissional sem jamais ter transformado essa qualidade em qualquer tipo de exibicionismo. Valmir Calheiros não ?dava lição de moral? ? ele era a própria lição de moral. Firme e manso, ensinou dia após dia, com suas atitudes irretocáveis, por meio século, como proceder corretamente sob quaisquer circunstâncias. Honesto, verdadeiro, leal, criterioso; avesso a qualquer ?armação?, refratário a todo tipo de oportunismo. Repelia vantagens, era leal às fontes e fiel às informações coletadas. Para a tristeza de seus familiares, amigos e colegas de trabalho, ele se despediu repentinamente na noite de quinta-feira, passando, definitivamente, à história do jornalismo alagoano. Além do legado dos exemplos éticos e profissionais, deixa pelo menos duas obras inéditas: a história dos 80 anos da Gazeta de Alagoas, trabalho praticamente concluído, e uma história da imprensa alagoana, este em fase de conclusão. Oxalá esses originais possam ser localizados e as edições possam ser finalizadas ? Alagoas e Valmir Calheiros merecem. ?Seu cara?: receba o emocionado tributo de todos que fazem a Organização Arnon de Mello.

Relacionadas