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quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
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Opinião

ONDE EST� O AMOR EM MACEI�?

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A esmagadora sensação de insegurança que assombra os lares dos maceioenses alimenta perigosos sentimentos mixofóbicos. A mixofobia é o medo típico das grandes cidades hodiernas: a fobia de se misturar com outras pessoas. O espectro da insegurança que ronda Maceió é um território vulnerável à disseminação da mixofobia. Esta se caracteriza pela canalização da ansiedade, do medo e da revolta para longe das verdadeiras raízes da violência, descarregando esses sentimentos sobre alvos que não se relacionam com as causas da violência, enquanto as fontes geradoras dessa violência permanecem intactas e inalteradas. A cidade é cindida por contrastes e desigualdades abissais. A opulência escancaradamente estampada nos edifícios à beira-mar, nos condomínios fechados de alto padrão e no mercado vicejante de bens e automóveis de luxo contrasta com as perversas e combinadas formas de exclusão existentes nas periferias, identificadas categoricamente na pesquisa de Mapeamento e Qualificação da Exclusão Social nos Territórios dos Centros de Referência da Assistência Social ? Cras de Maceió, realizada pelo Núcleo Temático de Assistência Social da Universidade Federal de Alagoas: ?Exclusão estrutural ? decorrente do modelo de sociedade que não garante inserção no mercado de trabalho; Exclusão absoluta ? a maioria sobrevive com menos de 1/2 salário mínimo per capita; Exclusão de representação ? não reconhecimento das demandas reais dos diversos segmentos da população e pouco interesse em inseri-los nas metas governamentais. As expressões da questão social são enfrentadas nas modalidades de ?apagar incêndio? ou de ?maquiagens sociais?; Exclusão integrativa ? a periferia é segregada, isolada e apresenta frágeis vínculos familiares, comunitários e sociais, pois apresenta dificuldades de usufruir das riquezas naturais que a cidade de Maceió dispõe?. A cidade que emerge desse quadro é a de dois mundos segregados e antagônicos. Há pessoas que vivem do lado de dentro da linha e o universo periférico do outro lado da linha. Os de dentro da linha nutrem pela vida da cidade pouquíssimo interesse, raramente se manifestam, querem ser deixados em ?paz? para usufruírem livremente do conforto da sua vida líquida cotidiana. Essas pessoas que circulam em seus luxuosos automóveis, com o adesivo ?Eu amo Maceió?, na verdade não se identificam em absoluto com a cidade e não serão elas as protagonistas da construção de uma Maceió inclusiva segura e feliz.

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