Opinião
Crise � sin�nimo de oportunidade?
Reza uma velha máxima popular que ?há males que vêm para o bem?. Em sendo assim, podemos usar como exemplo uma questão contemporânea, ressalvando que o ?bem?, no caso em tela, não vem automaticamente, tampouco é simples seu usufruto. Podemos dizer que se trata, apenas, de perspectivas. Em primeiro lugar, cabe lembrar que as relações Brasil x Estados Unidos estão, há alguns anos, em fase friorenta, num distanciamento ruim, especialmente para os brasileiros. Verdade seja dita, a situação ficou feia depois do escancaramento da espionagem americana sobre alvos governamentais brasileiros, depois a exposição pública feita por Edward Snowden. Mas o fato do nosso país ser alvo, vítima portanto, não ajuda em nada na retomada dos laços desfeitos. Uma ação do agressor precisaria ser levada adiante, o que não aconteceu até então. Eis que, de uma hora para outra, duas autoridades americanas anunciaram suas visitas ao Brasil. Roberta Jacobson e Jacob Law, ele secretário do Tesouro e ela secretária-assistente de Estado dos Estados Unidos para o Ocidente, confirmaram uma agenda de alto nível em Brasília. A maior atenção da Casa Branca em relação ao primo pobre (mesmo emergente, ainda não é do círculo dos ricos no grand monde) se deve a crises alhures: os tremores políticos que sacolejam a Venezuela e a Ucrânia. Como o governo brasileiro tende a ter mais simpatia às forças contrárias à atual política de Washington, a visita de cortesia de alto escalão é, indiscutivelmente, uma ação americana em busca de uma negociação mais favorável para um tempo onde o aquecimento global cede lugar a um perigoso repeteco da Guerra Fria. Não está fácil a situação dos venezuelanos, espremidos entre um governo esquerdista de reduzida capacidade administrativa e uma oposição conservadora; e mais difícil ainda está a realidade dos viventes na Ucrânia e arredores depois do golpe de estado direitista dado contra um presidente eleito e da reação belicosa entre Rússia e Estados Unidos frente a esse fato. Decorrente dessa dramaticidade alhures, o Brasil, de repente, passou a ser notado pelo grande irmão do Norte. Se Brasília souber trabalhar com sabedoria e esperteza, melhor para os brasileiros. Mas...