Opinião
O MESTRE E OS DISC�PULOS
Um café da manhã no meio da semana, compartilhado com três jovens colegas (Daniel, otorrino; Davi, geriatra, e Isaac, anestesista) a convite do Milton Hênio, serviu, principalmente, para o Miltinho demonstrar sua generosíssima gratidão àqueles rapazes que o curaram de recente e traiçoeira enfermidade. Esse tratamento ocorreu na Santa Casa, e a História mostra que, na Grécia clássica, a medicina refugiou-se nos mosteiros, onde eram traduzidas as obras de médicos árabes e judeus. Os monges tratavam os doentes caridosamente, e foi a Igreja quem assumiu a tarefa de cuidar dos enfermos: os hospitais surgiram como instituições cristãs. O primeiro deles foi fundado em Roma por volta do ano 400 por Fabíola, uma nobre que se converteu ao cristianismo, quando ele ainda era perseguido por Roma. Na França, o nome genérico para tais instituições era Hôtel-Dieu. O primeiro foi o de Lyon, em 542, o mais famoso de Paris, fundado no século 7 por são Landry, bispo da cidade, e que chegou a ter 1.200 leitos, dos quais seiscentos individuais ? nos outros ficavam de três a cinco pacientes por leito. As seis grandes camas destinadas à crianças recebiam duzentos pequenos pacientes. Os hospitais eram administrados por ordens religiosas. A visão religiosa da enfermidade como provação ou pecado continuava predominando: os leprosos, por exemplo, eram ? como na antiguidade bíblica ? excluídos da sociedade. Tinham de usar uma matraca que anunciasse sua presença, para que os sãos pudessem se afastar. Em 7 de setembro de 1851, quando Maceió era uma vila medieval, onde os dejetos corriam a céu aberto pelas ruas e os enfermos eram tratados por curandeiros, o cônego João Barbosa Cordeiro criou o Hospital de Caridade, embrião da atual Santa Casa de Misericórdia de Maceió. A chegada da Santa Casa ao Farol configura a continuidade dessa histórica saga, atualmente comandada pelo dr. Humberto Gomes de Melo, que inclui a oferta da maternidade Nossa Senhora da Guia no Poço, destinada unicamente ao SUS: um desafio gigante à gestão da instituição, que precisa de apoio. O mestre Milton Hênio aproveitou aquele café da manhã para transmitir aos jovens discípulos um pouco de sua vasta sabedoria, incentivando-os para que continuem praticando a medicina de forma solidária e humanística. Ali, nós todos, dele, recebemos impagáveis lições.