Opinião
AMIGO E PAI
A morte arrebatou, há alguns dias, o desembargador José Fernando Lima Souza, o Fernando Tourinho ? uma das pessoas mais importantes da minha vida. Fora do Brasil, não participei das homenagens que assinalaram, em Maceió, a partida deste mundo daquele que foi uma das figuras mais importantes do poder judiciário brasileiro. Fui representado pelos meus filhos Eduardo e Camila. Esteve presente assim no último episódio da nossa existência terrena a relação pai-filho, que foi uma das vertentes da minha convivência com Fernando Tourinho. Na verdade, o jurista que partiu, para mim, foi muito mais que um amigo. Foi Pai e Irmão nos momentos mais decisivos da minha existência. Abriu, ainda no começo da minha carreira, as portas da OAB/AL, onde posteriormente fui presidente por duas gestões. Seguindo seus ensinamentos, divisei novos horizontes, escalei todos os degraus que me trouxeram ao Superior Tribunal de Justiça, onde busco, cotidianamente, corresponder às expectativas dos brasileiros, ansiosos por uma prestação jurisdicional mais rápida e plenamente eficiente. A convivência com Fernando Tourinho, principalmente no dia a dia do TJ/AL, proporcionou-me agradável fonte de saber, que seria difícil de outra maneira. Suas intervenções no tribunal pleno foram, ao mesmo tempo, aulas e conferências. Manifestações adquiridas como professor da Universidade Federal de Alagoas, advogado penalista ímpar no Nordeste e desembargador. Sem o seu zelo, não teria alcançado o cargo de desembargador do TJ-AL, de onde escalei a missão de ministro do STJ. A experiência ensina que os cemitérios estão repletos de insubstituíveis. Mas os contemporâneos e as futuras gerações sentirão, por longo tempo, a falta dos ensinamentos do desembargador Tourinho. Somos, na verdade, como seus familiares, órfãos de uma figura marcante e ímpar na história do judiciário alagoano. A você, amigo e pai, eu digo: a gratidão não prescreve. A sua missão foi cumprida em todas as suas atividades, pessoal e profissional, com excelência.