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Torre Malakoff, ontem e hoje: guerra ou folia?

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Os alagoanos que adoram o carnaval pernambucano têm como ponto referencial da folia a famosa Torre Malakoff, no centro antigo de Recife. E quem sabe a que se refere esse nome? Trata-se de uma homenagem à resistência russa na Guerra da Crimeia. O conflito foi travado entre 1853 e 1856 e aquele teatro de operações foi definido pelo simples fato de que aquela península era um estratégico território russo. Os brasileiros acompanharam, naquele tempo, as notícias que a imprensa, especialmente o Diario de Pernambuco, trazia sobre as batalhas dos russos em defesa da Crimeia. E uma das lutas mais encarniçadas se deu exatamente numa linha de fortificações chamada Malakoff, em defesa da qual a resistência russa entrou para a história, mesmo tendo perdido a parada. A Prefeitura do Recife decidiu então batizar com esse nome o principal prédio do Arsenal da Marinha, que começara a construir em 1854. Além da torre em questão, até alguns engenhos foram batizados com nomes ligados àquela guerra, como Sebastopol (no município do Cabo) e Crimeia (município de Escada). Nessa guerra de 1853-1856, o Império Russo enfrentou uma poderosa coligação formada pela Inglaterra, França, Sardenha (parte da atual Itália), Império Austríaco e Império Otomano. Logicamente, os russos perderam a guerra ? mas mantiveram a península como parte de seu território. Bem perto de Alagoas, e especialmente ligada aos alagoanos fãs do frevo, está uma das referências do interesse dos brasileiros do século 19 pelos acontecimentos de seu tempo. E o nome da torre, hoje carnavalesca, antes o marco do respeitável Arsenal da Marinha, é o testemunho secular do quão russo é o pedaço de terra que nos dias atuais decide, através de plebiscito, revogar a doação, aparentemente inexplicável e indubitavelmente autoritária, feita de seu território a outro país, no caso a vizinha Ucrânia. Como em 1853, a península russa volta a ser o alvo das potências ocidentais que miram sua posição estratégica como alvo de pressões pelo poder geopolítico. Será o prenúncio de novas guerras? Ou apenas um carnaval fora de época?

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