Opinião
� sombra da mem�ria de um grande alagoano
Ontem, comemoraram-se os 100 anos de nascimento de Ib Gatto Falcão, ou resumidamente, Dr. Ib ? como foi mais conhecido na maior parte de seus 94 anos de vida. Médico, escritor, historiador, planejador, educador... atuou com destaque em todos os ramos de atividade aos quais tenha se dedicado. Particularmente depois de sua contribuição para com o planejamento público durante o governo Arnon de Mello, no início dos anos 50, Dr. Ib transcendeu definitivamente o portal da exclusividade médica dentre os objetos de sua atenção. Passou a estudar, a entender Alagoas ? e a propor soluções para o Estado ? como poucos em toda a nossa história. De sua mente privilegiada, brotaram as concepções originais de obras referenciais como o Centro de Ensino e Pesquisas Aplicadas (Cepa), edificado nos anos 60 e, em sua época, considerado o maior centro integrado de Ensino Médio da América Latina. Da educação à reeducação foi um pulo, e, graças àquele abnegado intelectual, foi criado o presídio modelo da Colônia Agrícola Santa Fé, em União dos Palmares, instituição prisional sem grades, nem mesmo celas fechadas, de onde nunca nenhum reeducando tentou fugir. Ao empenho desse homem que ontem completaria 100 anos, se vivo fosse, deve-se a edificação da segunda faculdade de Medicina em Alagoas, então chamada de Escola de Ciências Médicas e fundada com o objetivo de acolher, enquanto instituição pública de ensino, as centenas de estudantes que, aprovados no vestibular para a até então único centro de formação médica em nosso estado (na Ufal), ficavam de fora por falta de vagas ? eram os famosos ?excedentes?, estudantes que ganhavam mas ?não levavam?. A fundação da Ecmal, nascida já em processo de vinculação ao que seria o hospital escola José Carneiro, foi um grande marco do Ensino Superior alagoano. Sua fama, justificada por seu vastíssimo currículo, de realizador se fortaleceu com exemplos de obras notáveis logradas até durante sua condição de nonagenário, quando conseguiu restaurar e fazer com que a Prefeitura de Maceió doasse à Academia Alagoana de Letras a histórica casa de Jorge de Lima, imóvel dos anos 30 que se encontrava deteriorado e abandonado em área nobre, defronte à Praça Sinimbu. Hoje, no dia seguinte ao centenário de nascimento desse formidável alagoano, registramos o chamamento para que seu exemplo seja perpetuado e copiado pelas gerações futuras.