Opinião
AT� QUANDO SEREMOS SUBESTIMADOS?
Há mais de 30 minutos, estou sentada dentro de uma aeronave no Aeroporto de Guarulhos ? São Paulo, esperando autorização para o posicionamento definitivo da mesma e posterior desembarque. Mais uma vez, ouvimos o comandante se desculpar e lamentar o contexto administrativo do maior aeroporto do País. Há menos de um mês, vivenciei episódio semelhante: sobrevoamos São Paulo por 40 minutos, aguardando liberação, desta vez para pousar. Como sempre, o educado comandante, vítima como nós, constrangido, se desculpou inúmeras vezes. No início, recebemos um aviso de que pousaríamos em 15 minutos, o que foi se ampliando para quase uma hora. Já escrevo há alguns minutos e continuamos aguardando o desembarque! Chamo uma das aeromoças e pergunto com que frequência ela já presenciou tal episódio. Ela refletiu um pouco e respondeu: no último, mês foram 6 vezes. Convém lembrar que, além do rodízio nas rotas, há os intervalos de descanso. Enfim, a aeronave estacionou no lugar previsto. Comentou o passageiro ao lado: em quanto tempo chegará a escada? Continuei sentada escrevendo. Os minutos se sucederam: portas fechadas e nada de escada! Em solo, dirigimo-nos à superlotada Sala de Imigração. Até fotografei para registrar o absurdo. Fiquei acanhada dos estrangeiros. Vários brasileiros, perplexos, questionaram: como vai ser na Copa? No interior do aeroporto, algumas placas avisavam: futuras escadas rolantes. Ambientes cercados de tapumes propiciavam ?um engarrafamento humano?. No reembarque para Maceió ? Terminal Doméstico B ?, finger (passarela que une a aeronave ao aeroporto) é artigo de luxo. O portão de número 01 tem 10 subdivisões: vai de 01A até 01J, o que causa grande tumulto. No portão 01G, tomamos um ônibus em direção a um novo terminal intermediário (aquele polêmico, que custou milhões de reais aos cofres públicos), que, apesar de construído recentemente, já está com alguns pontos do teto danificado. Ri com a crítica hilária do cantor Lobão, (revista Veja 12/3): ?Em Guarulhos, embarquei num puxadinho infame feito na base do gatilho?. Como a operação ?tapa-buraco? está sendo feita às pressas nas rodovias federais por onde passarão as delegações, esperamos herdar estes pequenos benefícios ?na ressaca? da Copa! Fico questionando: será que estas obras feitas de ?última hora? irão amenizar o desconforto dos brasileiros? Não bastam as arenas superfaturadas? Até Quando Seremos Subestimados?