Opinião
O gigantismo de uma trag�dia contempor�nea
Um dos números assinalados numa das mais recentes operações policiais contra as quadrilhas de traficantes mostra uma das principais dificuldades em se combater essa mazela. Segundo os cálculos da delegacia especializada, pelo volume de droga comercializada, o apurado mensal do grupo criminoso renderia nada mais nada menos que R$ 600 mil. Quantos empreendimentos legais podem render R$ 600 mil por mês no Brasil? Considere-se que o bando preso num bairro periférico em Maceió não pode ser considerado uma quadrilha de porte significativo. Apenas quatro pessoas foram detidas e a apreensão listou quatro quilos de crack, R$ 14 mil em dinheiro, duas balanças de precisão, dois veículos, um revólver calibre 38, 10 celulares, um GPS (de uma das tornozeleiras que deveria estar sendo usada por um dos envolvidos) e um notebook. Coisa pequena, convenhamos. Se um grupo tão mixuruca assim conseguiria faturar R$ 600 mil por mês vendendo ?noia?, quanto não arrecadarão os barões da droga? Qual o poder real de uma máquina de fazer dinheiro como essa? Não é difícil imaginar a quantas se multiplica o volume de recursos amealhados por essa atividade criminosa. E é fácil deduzir a força desses bandidos que espalham o tráfico por todo o País, como se não existissem barreiras para a sua atividade assassina. De fato, muitos óbices devem ser removidos sem grande dificuldade, pois até nos povoados mais remotos se nota a presença desse flagelo. Esse número, eloquente por si próprio, assusta em sua demonstração de força, chamando a atenção das autoridades e da cidadania para o fato de quanto estamos atrasados em entender a gravidade e o gigantismo desse problema. Ao entendermos as dimensões desse monstro, precisamos cobrar políticas mais ofensivas, mais combativas para enfrentá-lo à altura. Precisamos de muito mais investimentos, de mais tecnologia, de mais policiais preparados e equipados, de uma legislação ágil e dura. O que se está a enfrentar não é brincadeira. O Brasil não pode perder tempo com tertúlias sociológicas sobre a tragédia do tráfico. Se faz necessário ajustar as políticas e as polícias para que essa guerra possa ser travada de forma verdadeira.