Opinião
QUAL O TEU SENHOR?
?Ninguém pode servir a dois senhores: pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro? (Mt 6,24ss). O serviço de que fala Jesus aqui não é um qualquer: é o serviço do servo, que dura a vida toda e absorve a pessoa toda: seu tempo, seu interesse, sua vida. Em outras palavras: trata-se da nossa opção fundamental, daquilo que se torna o eixo e a razão da nossa vida. E, este caso, não pode haver duas opções: ou Deus ou o dinheiro! Cuidado com a palavra ?dinheiro?. Não se trata do monetário, dos rendimentos, simplesmente. Dinheiro significa tudo quanto tenho: meus talentos, minha saúde, minha família, meus amigos, meu trabalho, meu prestígio, minhas posses, meu modo de viver... O que Jesus nos diz é que um só é o eixo da minha vida: ou Deus ou o meu interesse. Não se pode servir a Deus, não se pode ter Deus por Deus verdadeiro, escapando e servindo-se a si mesmo e seus interesses! É o mesmo sentido daquela outra palavra: ?O homem não vive somente de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus!?. Pão é tudo aquilo que nutre e sustenta e situa a minha vida: a comida, a moradia, os amigos, os bens materiais, a saúde, o prestígio, o trabalho, a família, o lazer... Tudo isto é pão, tudo isto é importante, tudo isto contribui para sustentar a vida; nada disso enche o coração, nada disso realiza, nada disso desvela o Sentido último da existência! O pecado, a blasfêmia, o engano do mundo é querer nos fazer acreditar que o homem vive somente de pão, que o pão pode saciar-lhe o coração! Aqui está o dilema tremendo e nossa tremenda realidade: quando fazemos das coisas, pessoas ou situações o nosso absoluto, nos perdemos e espatifamos o coração e mil amores que nos quebram e roubam o verdadeiro sentido da vida. Quando centramos nossa existência no único Senhor, encontramos o verdadeiro sentido, a verdadeira paz, a verdadeira liberdade. Então tudo o mais encontra sua justa medida, tudo encontra seu justo lugar e passa a ter seu justo valor na nossa existência. Família, amigos, subsistência, trabalho, moradia, prestígio, passamos a lidar com tudo isto com a liberdade e serenidade de quem sabe que, porquanto tudo isto seja bom e desejável, nada disto é fundamental para a minha existência, nada disso é o meu chão, o meu respiro, o sentido mesmo da minha vida! Fica o desafio, permanece a pergunta: quem é, finalmente, o senhor, o Deus da minha existência? Qual é o eixo em torno do qual eu giro? Qual o meu tesouro?