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O CENTEN�RIO DE UMA LENDA

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Ainda vivo, o médico e presidente da Academia Alagoana de Letras, Ib Gatto Falcão, já era uma lenda viva, onde qualquer contemporâneo seu tinha uma História para contar de sua vida. Era sempre um feito cercado de humanismo e bom humor. Quando seus problemas de saúdo se tornaram públicos, ele brincava consigo mesmo e estava pronto a dar o seu próprio diagnóstico: ? Como está sua saúde? ? Perguntou uma vez um jornalista. E ele respondeu com aquela rapidez de um pensamento extremamente vivo: ? Está compatível com a minha idade. Mesmo assim, confessava, às vezes, quando tinha que deixar seu sagrado gabinete, na Academia, para ir para à fisioterapia: ? Eu detesto médico! ?Ninguém pensava que eu fosse viver tanto?. Esta frase sempre aparecia em meio às suas histórias. ?Ele morreu e eu estou vivo?. Era quando soltava o seu riso metálico que ironizava o destino e a vida. Ele brincava de viver com a mesma mordacidade com que desprezava a futilidade, a vaidade e a indiferença. Era tenaz quando queria alguma coisa. Teimoso quando queria mais ainda. E dizia com aquela autoridade de um professor: ? Quando você pedir alguma coisa a alguém, insista! Você tem que marcar o sujeito sobre pressão! Então, ria e voltava a gracejar: ? Você nunca jogou futebol. Era um eterno sonhador! Não fazia questão de comungar suas ideias. Chegava ao cúmulo de descrevê-las como um arquiteto. Era quando o peso dos anos lhe caía à mente, ele embaraçava a voz para dizer: ? Eu ainda sonho! Dificilmente, o espectador também não chegava às lágrimas ou as engolia. No período da restauração da Casa Jorge de Lima, quando uma série de problemas se acumulou e ele se sentiu só, não se furtou em dizer aos presentes numa reunião: ? A academia não é o prédio, nem são os livros. A Academia somos nós. Seu centenário acontece no mesmo estilo com que viveu. Afinal, suas obras por si mesmas contam a suas histórias. Histórias tantas vezes cercadas até de inimizades, indiferença e inveja. No entanto, ninguém poderá, jamais, roubar-lhe o mérito de ter sido um dos homens mais brilhantes desta terra. Por isso, quem o amou, o amou de verdade, assim como quem o odiou, o odiou e amargurou seu ódio pelo resto da vida. Mas a sua grandeza ainda hoje obriga quem quer que seja a não omitir a sua presença. Teve apenas uma filha, que multiplicou sua prole numa família bonita que continua a manter viva a sua memória.

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