loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 30/07/2026 | Ano | Nº 6278
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

AS HORAS DA ALEGRIA DA POETA

Ouvir
Compartilhar

Nascer, chorar, caminhar, cair, nascer de novo, amar, chorar, sorrir, mergulhar profundamente na vida, aportar... Assim é o novo livro de Izabel Brandão, um espelho refletindo as trilhas nossas de cada dia. O livro nos convida a um mergulho em nós mesmos/as. Um mergulho lírico, rara oportunidade de ser encontrada no turbilhão do cotidiano. Edição feita com primor e, mais importante, com amor, a poesia lá escrita, delicadamente nos guia para a vivência, como diz a escritora e prefaciadora do livro Helena Parente Cunha, ?deste verdadeiro périplo existencial?. A obra mostra-se multibiográfica, porque nos mostra que, espíritos inquietos que somos, não cabemos em nós mesmos, mas também em lugar nenhum. E, por isso, voamos, voamos sempre, à procura de novos lugares, onde possamos sentir a sensação de pertencimento, onde possamos dizer: aqui, eu sou. Porque ?estar? é sempre passageiro. ?Estar? é um porto, não é um ?lugar? no sentido atribuído por Marc Augé, que nos diz ser no ?lugar? onde encontramos a nossa identidade, o que somos. Cada poesia do livro voa como flecha precisa, meticulosamente apontada para todos os cantos escondidos da memória, e mostra nos sulcos abertos, filamentos de estórias vivenciadas. ?Almas tristes? se misturam com crianças nos sinais de trânsito. As frutas, o chá com biscoito de araruta e a geleia de goiaba, cada coisinha tem seu lugar perene na memória da poeta, se misturam num caleidoscópio de alegrias e tristezas. Brincadeiras com as sombras na parede, arrancando risos do filho! Saudades de nossas infâncias. Útero e infância são águas por onde sempre navegaremos nos sonhos, onde sempre encontraremos as referências amorosas familiares e amigas. Os portos foram muitos, o desejo de aportar, nem tanto. Em Maceió, ?terra de mar verde?, ela ancorou sua ?estada?. É preciso seguir adiante! Viver essa estrangeirice que oxigena nossas almas. ?Ainda sem lugar eu ando?: primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto e porto final, afinal! Não há coisa mais linda que um passarinho pousado. No pouso respiramos, bebemos as tristezas, nos enchemos de esperança, recuperamos as memórias e, de novo, o desejo de sonhar. Para mim, o exílio pode ser resultado mas também recomeço: saída e acolhimento. Diz a poeta: ?Ainda quero voltar a Minas. Além das montanhas o mundo é vasto. Aqui descobri um porto de chegada e as sombras são calmas e os coqueiros têm água doce. Por que não aportar? Se há tempestades, há também noites serenadas quando a lua se mostra pérola no meio do mar. É aqui mesmo que vou ficar?. Coisa mais bonita esse livro: ?As horas de minha alegria?! Obrigada, Izabel!

Relacionadas