Opinião
Hora de se indignar, com ou sem pesquisa
Na mesma quinzena na qual o noticiário nacional foi ocupado por notícias escabrosas como a mulher arrastada por um carro de polícia no Morro da Congonha, comunidade do bairro carioca de Madureira, e o enfrentamento de policiais, à bala, por quadrilhas de traficantes, igualmente no Rio de Janeiro, onde também os bandidos transformaram em cinzas postos da antes afamada ?Unidade Pacificadora?, Maceió é apontada como a cidade mais violenta do Brasil. A capital alagoana aparece acompanhada de outras duas cidades nordestinas, Fortaleza e João Pessoa. A pesquisa, realizada há algum tempo, tem a assinatura de um instituto mexicano. Na época da primeira divulgação, comentamos alguns pontos instigantes do citado estudo, especialmente pelo fato de a cidade mais violenta do mundo não estar situada no conhecido perímetro de terror homicida localizado no lado mexicano da fronteira com os Estados Unidos. Como se sabe, essa área é tão barbarizada pelo tráfico, que é desse local que estão sendo produzidos os escabrosos vídeos das decapitações realizadas por gangues de traficantes contra seus rivais. Essas filmagens, feitas ao vivo, tornaram-se ?meme? nas redes sociais no mundo inteiro, provocando um grande debate na internet sobre a proibição, ou não, das veiculações dos filmes sobre essas carnificinas realizadas no México. O fato é que essa pesquisa mexicana aponta para San Pedro de Sula, em Honduras, como o lugar mais violento do mundo. Interessante. No Brasil, as indicações das urbes mais sanguinolentas recaem sobre Maceió, Fortaleza e João Pessoa. O Rio de Janeiro está em paz, nesse ranking. Pois é. E agora? Verdade é que a situação da insegurança pública alagoana está pela hora da morte, como se diz. Mesmo que Maceió não venha a ser a cidade na qual mais se mata no Brasil, como indica pesquisas como essa, é, sim, caso de se indignar! E de cobrar, mais uma vez, das autoridades, ações reais para a reversão dessa realidade dantesca. Apesar de pairarem dúvidas sobre os critérios nos quais essas pesquisas são embasadas, o momento não é de questionar esses procedimentos estatísticos,mas de exigir que, sob quaisquer parâmetros, a criminalidade seja refreada em nossa terra.