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Opinião

Quando a sofisticada espionagem � in�til

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Num mundo no qual um ex-presidente dos Estados Unidos confessa escrever suas cartas à mão para não ser espionado pelos serviços secretos que chefiou um dia; neste globo no qual não existe rede social inacessível aos arapongas de qualquer matiz; enfim, nestes tempos de bisbilhotagem desbragada, os sistemas de inteligência da maioria dos países desenvolvidos não são capazes de localizar um avião com 239 pessoas a bordo. O mistério do voo MH 370, da Malaysa Airlines, parece indecifrável quase um mês depois de desaparecido como num passe de mágica. A pergunta que não quer calar é: como nessa realidade mundial, com os máximos cuidados cercando os voos internacionais por conta do terrorismo, um Boeing 777 consegue sumir sem deixar vestígios, calando todos os serviços de espionagem e segurança de todos os países envolvidos? Algumas das recentes notícias fornecem uma pista. Um jornal da Nova Zelândia, The New Zealand Herald, publicou ontem uma reportagem contando detalhes da vida particular de um dos pilotos desaparecidos junto com todos no avião. A matéria discorre sobre como o cidadão estaria triste, em quais circunstâncias teria se dado a dissolução do casamento, como ele se relacionaria com uma suposta amante e até que teria ficado abalado com um telefonema recebido antes de embarcar no fatídico voo. E essas questões pessoais passaram a ser arroladas como algumas das possíveis causas do sumiço da aeronave. Terá lá sua lógica, quem sabe? Mas fica evidente que a capacidade de espionagem internacional ainda está centrada em dois pontos: os interesses geopolíticos e ideológicos, tendo como referência as grandes potências; e o mero e vulgar voyeurismo. Nada além disso. Por que essas sofisticadas agências de espionagem não construíram até agora um sistema que monitore, em tempo real, os acontecimentos em áreas públicas e locais estratégicos (como aviões, navios e trens), numa espécie de BBB preventivo contra ocorrências trágicas? Certamente, não se interessam por outras coisas que não salvar vidas como valor universal. Tem razão Jimmy Carter, quando põe para funcionar a velha caneta sobre o papel, como nos tempos antigos.

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