Opinião
Golpes nem sempre exigem tanques nas ruas
Ao reunir o número de assinaturas necessárias para a convocação e uma CPI para investigar a Petrobras, a oposição ao governo federal logrou êxito, criando um problema de porte para a presidentr e sua equipe. A motivação da CPI, e de sua possível transformação em CPMI, englobando a Câmara nesse novo palanque político, é inegavelmente eleitoral. Trata-se de uma tentativa de responder à pesquisa anterior que indicava a tendência de Dilma Rousseff vencer no primeiro turno. O tema motivador é velho, e já foi exaustivamente discutido noutras ocasiões, ao longo desses anos desde que o péssimo negócio se confirmou. Merece críticas e investigações, que, por sinal, já estavam em andamento há algum tempo. São vários os porquês da retomada da pauta ?Pasadena? numa ação coordenada entre a mídia oposicionista, os partidos de oposição e parcelas da própria base aliada ? esta quer aumentar os decibéis de sua grita por maior atenção, comprovando o quanto fazem falta os argumentos usados, por exemplo, por FHC para impedir toda e qualquer CPI contra seu governo. A mídia e as siglas oposicionistas fazem o seu papel: jogam pesado para evitar a consolidação da tendência de reeleição de Dilma Rousseff. Além de puxar o freio de mão da candidatura de Dilma, ao elevar a CPI da Petrobras ao posto de pauta principal, senão única, desviam a atenção de escândalos recentes como a máfia dos trens em São Paulo, tema que castiga duramente tucanos e outras aves pousadas no mesmos galho. E, por falar em desviar olhares, ninguém vê mais nenhuma notícia sobre os 450 quilos de cocaína apreendidos em um helicóptero pertencente a uma família de políticos mineiros... Pode-se dizer que essas manobras fazem parte das regras do jogo. Cabe à presidente atenção ainda mais redobrada com as rebeldias manifestas de sua base aliada, pois, mais das vezes, factoides podem se transformar em atentados reais contra a democracia, revertendo a vontade das urnas. E, para tanto, nada como uma Comissão Parlamentar de Inquérito agindo em parceria com uma máquina midiática viciada em manipular a opinião pública. Afinal, nem sempre é necessário tanques nas ruas para um golpe ser dado.