Opinião
PRIMAVERA NA EUROPA
Depois de comemorar os meus 90 anos, quando tive o prazer de reunir os amigos e parentes numa festa carnavalesca, ao som agradável da orquestra de Almir Medeiros, resolvi me presentear com uma viagem de 20 dias a três países da Europa: França, Suíça e Espanha. Nações agradáveis de visitar, onde há sempre o que aprender. Comecei por Paris que, além das programações teatrais estarem no auge, é época de liquidações de roupas de inverno, convites irrecusáveis para uma visita. Assim, as ruas estavam sempre cheias de gente vinda de toda a parte. Com a chegada da primavera, os dias eram iluminados por um sol radiante, um céu azul, convite irresistível para ganhar as ruas, estar ao ar livre, apesar do frio ainda intenso. Nos parques, as primeiras flores começavam a colorir os gramados, sobretudo amores-perfeitos em tons de amarelo e roxo. As árvores enchiam-se de brotos prontos a desabrochar e mostrar suas inflorescências. Perto de meu hotel ficava o famoso Olympia, que é um music hall, sempre apresentando grandes cantores e orquestras. À noite, fui logo assistir a Frederic Francois, um excelente cantor de músicas populares internacionais. Noutra noite, assisti a um balé contemporâneo na Opera com Birgit Cullberg/Agnás de Mille. Descobri que havia uma entrada especial para cadeirantes nesse espetacular teatro e fiquei feliz de poder voltar a assistir seus espetáculos. Fui, também, a Salle Pleyel, onde um trio de instrumentistas de cordas: Guy Braunstein, Zvi Plesser e Sunwook Kim apresentaram músicas de Debussi, Mozart e Brahms. Um lugar elegante e próprio para concertos. Tomei um ônibus com acesso a deficientes e fui dar uma volta pela capital francesa. É sempre agradável rever os bairros pitorescos e belos dessa histórica cidade. Gosto imenso de ir até Montmartre e rezar naquela linda igreja com seu altar todo em prata, a Sacré Coeur. Claro que fui fazer uma visitinha ao Museu do Louvre. Há sempre alguma sala que não conhecemos de tão grande e variado que é! Como cadeirante, tenho prioridade para entrar e não pago. Assistir à missa das 11h30 aos domingos na Notre Dame; é um prazer que não perco, quando estou em Paris. A homilia e o coro são sempre lindos! Comprar e ver as novidades da moda nas galerias La Fayette e Printemps são quase uma obrigação quando se vai à Paris. Descobri uma doceria russa na segunda loja em que tudo é um deleite: o Café Pouchkine! Bolinhos e croissants deliciosos, acompanhados de um chocolate quente e cremoso de ?gemer?! O mal é que aumentamos uns quilinhos!