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Opinião

V�cios e erros cinquenten�rios

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Sem dúvida que o cinquentenário do golpe de Estado dado em 1964 estimula discussões muito interessantes e positivas Brasil afora. Os trabalhos das Comissões da Verdade, em seus formatos estaduais e nacional, têm se constituído em um importante esforço de recolhimento e sistematização de depoimentos sobre os subterrâneos da ditadura, embora pouco se tenha acrescentado aos testemunhos coletados desde a vigência do regime militar. Esses trabalhos se consolidam como a reconstrução, de forma oficial, da memória sobre um tenebroso período. Os ensinamentos do longo 1º de abril de 1964, entretanto, não se resumem à guerra travada entre os insurgentes esquerdistas e os aparelhos de repressão do regime. É importante que sejam estudadas as forças motrizes do golpe e os vícios que fomentaram o complô que nocauteou o sistema democrático brasileiro por duas duras décadas. Ao serem analisados os detalhes e motivações de 50 anos atrás, descobrir-se-ão várias mazelas que ainda hoje, disfarçadas ou não, podem ser encontradas na cultura política brasileira. Do complexo caleidoscópio das esquerdas é visível, a olho nu, ainda vivas as querelas internas e a supervalorização das próprias forças, além das várias moléstias infantis da militância. No lado do amálgama conservador ulula a tendência das armações ilimitadas para revogar, na mão grande, os resultados das urnas. E, definitivamente, percebe-se que o famigerado falso moralismo que caracterizou o chamado ?udenismo? fez escola (e não somente à direita). Essa reedição de vícios, erros e equívocos é indiscutível hoje quando o manifesto favoritismo de Dilma Rousseff estimula nas elites que lhes fazem oposição toda uma série incansável de manobras e rasteiras destinadas a revogar o apontado pelas pesquisas. Igualmente, grassa na faixa esquerda a superestimação de seu próprio poder, a divisão interna (a ponto de ?radicais? esquerdistas apoiarem manifestações claramente direitistas como os black blocs). Da mesma forma, assoma com força o velho ?espírito de porco? que leva direitistas, esquerdistas e centristas a praticar a máxima do ?quanto pior, melhor? ? estupidez que se materializa com força em ondas do tipo ?não vai ter Copa?. De fato. O Brasil aprende pouco com suas próprias tragédias.

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