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Opinião

Uma retalia��o que precisa ser enfrentada

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Novamente, o Poder Legislativo estadual perde uma oportunidade de se afirmar de maneira positiva junto à sociedade alagoana. A confirmação de sua vindita contra o Ministério Público Estadual é outro momento de desalento da cidadania e de reafirmação de que a Casa de Tavares Bastos mergulha, a cada vez, no fundo no poço sem fundo do descrédito. Ao manter a punição imposta ao MP de cortar uma fatia significativa de seu orçamento para 2014, derrubando o veto governamental à essa desfeita, o Legislativo estadual insiste na posição de se vingar da instituição que ousou lhe investigar as contas (eternamente) sob suspeição. Passa um recibo de mágoa e impotência frente à incapacidade de controlar as ações do Ministério Público e/ou de contestar-lhe, com sucesso que não seja a eventual procrastinação, as denúncias assestadas pelo continuado uso incorreto das verbas públicas. E o que é pior: em simultâneo à subtração de R$ 16 milhões ao MP, a Assembleia Legislativa abiscoita mais a bagatela de R$ 32 milhões para si própria. Em uníssono, reverbera uma pergunta que não pode ser calada: o que a Assembleia Legislativa de Alagoas vai fazer com a fortuna de R$ 175 milhões anuais? Desnecessário é perguntar o que a ALE pensa que o MP deixaria de fazer com menos R$ 16 milhões em 2014. A resposta que alguns querem ouvir seria que o Ministério Público, abalado e descapitalizado, abandonaria determinadas investigações; ou que iria pedir arrego; ou apequenamentos e/ou acochambramentos outros. Mas, se alguém pensa assim, comete grave erro, pois mesmo pungueado, é certo que o MP não arrefecerá, nem se intimidará. Terá mais dificuldades materiais em cumprir sua missão, é verdade, mas indubitavelmente não arredará pé da lide. E é exatamente disso que Alagoas precisa. Instituições que resistam à pressão política e/ou econômica. Enfim, como diz aquela batida formulação apresentada como típica da cultura oriental, toda crise é sinônimo de oportunidade. Ou, como vaticina a filosofia popular brasileira, há males que vêm para o bem. Resta ao Ministério Público, sempre agindo rigorosamente dentro da lei, responder à provocação recebida, o que quer dizer seguir adiante e não recuar um milímetro em sua disposição de investigar os desmandos cometidos em quaisquer órgãos, por mais poderosos que sejam.

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