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CARLOS DE LIMA E OS AMIGOS

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Há mais de trinta anos um grupo caminha na orla da Pajuçara e Ponta Verde, diariamente, ao amanhecer. Ao se formar, alguns se conheciam somente de vista, tinham profissões e idades variadas e nenhum dependia ou depende de outro para sobreviver. A convivência diária, associando a prática saudável das caminhadas à conversa descontraída, tendo como fundo aquela região belíssima de Maceió, servia, e ainda serve, para condicionar as energias para as lides do dia que se inicia, como também aproximou seus componentes. Um grupo assim, heterogêneo, com pensamentos diferentes e próprios, é complexo. Schopenhauer afirmava: ?Da mesma forma que um círculo de uma polegada de diâmetro e um círculo de quarenta milhões de milhas de diâmetro tem exatamente as mesmas propriedades geométricas, as aventuras e a história de uma aldeia e de um império são essencialmente as mesmas, e podem com tanta facilidade na história da primeira quanto na da segunda, estudar e conhecer a humanidade?. Essa turma sobreviveu civilizadamente. Infelizmente, o tempo foi levando alguns companheiros e agora nos levou o Carlos de Lima, um dos nossos mais queridos líderes, como o foi no CSA e por onde passou, cuja esposa, Margarida, nas confraternizações anuais, sempre se encarregava das mensagens natalinas. Carlos de Lima, poucos dias antes de hospitalizar-se para a sua última luta, ainda fez um cruzeiro com a Margarida e seus amigos Myrza e Milton Hênio. A cada dia, acho mais importante a presença dos amigos. O teatrólogo Menandro, dois mil anos atrás dizia: ?Para o corpo doente, é necessário o médico/ para a alma, o amigo/ a palavra afetuosa sabe curar a dor?. E A. S. Pushkin escreveu: ?Um dos maiores consolos desta vida é a amizade; e um dos consolos da amizade é ter a quem confiar um segredo. No entanto, os amigos não são um par, como os esposos; cada um genericamente tem mais de um... Há homens privilegiados que contam com muitos deles?. Era o caso de Carlos de Lima. Na convivência humana, em tempos perigosos como esse, todos devem estar abertos ao debate e respeitar a opinião dos outros, mesmo que contrarie a sua. Ninguém é dono da verdade e acredito que nenhuma amizade verdadeira deve ser sacrificada inutilmente. As verdadeiras amizades são mais importantes que coisas outras, como a política.

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