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Opinião

Riscos reais na via econ�mica

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Alguns dos temas candentes, independente do momento de caça aos votos, terminam sendo estigmatizados, e o preconceito formado sobre determinados assuntos é sensivelmente ampliado pelo clima de guerra eleitoral. Considerando que a pior das reações é se deixar imobilizar pelas ?ondas? da moda, vamos abordar aqui uma questão que, per si, tem o condão de atrair várias ignorâncias ao mesmo tempo: os malefícios da queda na produção brasileira de automóveis. O automóvel tem sido eleito, há algum tempo, como o responsável por todas as mazelas das ruas. Se o transporte coletivo está uma desgraça, se os engarrafamentos estão insuportáveis, se o calor está terrível ou se o frio castiga ? a culpa é do carro e, por tabela, das fábricas de veículos. Ora, por que não se questiona a necessidade de ampliação e modernização da malha viária (urbana, estadual e nacional)? Por que não se desfralda a bandeira por transportes públicos em quantidade e qualidade de primeiro mundo? Paralisar a produção de automóveis é solução? Qualquer recuo na indústria automotiva brasileira é um desastre. Não porque quem sonha em possuir um carro novo ficará frustrado, mas porque essa retração produtiva castiga a mais ampla e diversificada cadeira produtiva nacional. O fogo morto nas montadoras é sinônimo de menos crescimento econômico, demissões em massa e falências de vários empreendimentos de médio e pequeno portes que compõem o tecido de fornecedores nesse setor. Daí a atenção para com a queda de 8,4% na produção brasileira de veículos no primeiro trimestre deste ano. Esse dado deve inspirar críticas à política governamental, pois ? provavelmente intimidada diante da gigantesca pressão eleitoral da chamada grande mídia ? a equipe econômica tem recuado de medidas comprovadamente positivas como a redução da carga tributária no quesito IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) o que muito ajudou a economia brasileira como um todo quando dos efeitos da última grande crise global. Quando a grande indústria, e não só a automobilística, reduz seu ritmo, toda economia perde velocidade. E isto deve ser evitado ? sem medo das diatribes das oposições de qualquer tipo.

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