Opinião
UNS DIAS EM GENEBRA
Um dos países que mais me encantam é a Suíça, com suas paisagens inigualáveis. Resolvi que Genebra faria parte do meu roteiro à Europa. Comprei o hotel explicando à agência de viagens que usava cadeira de rodas, precisava de quarto especial, o que hoje todos os hotéis possuem. Mas quando cheguei lá, que decepção! Tive que subir dez degraus, o que era impossível para mim. Quando reclamei, não quiseram cancelar a reserva sem pagamento e resolveram me colocar num outro da mesma rede, porém ficava ao lado do aeroporto, a quilômetros do centro da cidade. Fiquei uma ?onça? e passei uma tarde no telefone falando com um brasileiro debochado, que a cada hora me oferecia um hotel em lugar estranho, logo rejeitado por mim, até que me acomodou no Hotel Bristol, na Rua Mont Blanc, e me cobrou uma fortuna, ainda dizendo que não sabia se a tal agência descontaria o cancelamento dos outros dois hotéis. Esse era muito bom, perto do lago. Genebra é uma das importantes cidades da Suíça, quer política quanto turisticamente. Fica às margens do grande Lago Genebra, onde nasce o Rio Ródano, que banha grande parte da Europa. Proporciona ótimos passeios de barcos margeando a urbe. Uma parte dela é montanhosa e os mais altos picos são próximos. Da cidade, podemos ver o Mont Blanc, todo coberto de neves eternas, o Matterhorn e outros que fazem a cadeia dos Alpes. Os campos de esqui de Val du Ser e Chamonix são os mais importantes e procurados da Suíça. Pode-se subir no Mont Blanc, a 4.000 metros, saindo dessa última cidade que se alcança de ônibus. Tem um trem com cremalheira que nos leva até essa altura, e a vista é linda, sobretudo a visão da geleira imensa que desce lentamente a montanha. Um sol radioso iluminou Genebra todos os dias que lá passei. O que a tornava mais encantadora. Uma multidão de visitantes circulava em torno do lago e tomava principalmente sorvete, nos múltiplos bares que o cercam. Com um frio forte! Para os europeus, já estava quente, aproximava-se a primavera. Ao longe, vemos a massa verdejante do Jura a refletir-se nas águas azuis do lago. Passeando por ele, visitamos o Castelo de Chillon, antiga fortaleza medieval, em cujas câmaras de torturas e calabouços subterrâneos esteve preso o patriota suíço Bonivard, que Lord Byron descreve em um de seus poemas.