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Opinião

Quando a hipocrisia pol�tica dita as regras

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Certo é que a CPI da Petrobras será manipulada, como já está sendo em sua fase inicial, para servir de mero palanque eleitoral, exibindo mais um momento de prática da ?ética de mão única?. O abuso do direcionamento político/eleitoral de valores que deveriam ser universais fica claro quando os promotores da investigação parlamentar contra a Petrobras desesperam-se e prometem ?até recorrer ao STF?, caso o Parlamento resolva ampliar o objeto da comissão até alguns dos cabeludos processos que envolvem as oposições juramentadas, como no caso dos ?trilhos de ouro? paulistas e/ou do Porto de Suape, em Pernambuco. A reação dos neoudenistas beira o histerismo. Certamente têm lá suas razões, pois enquanto o monumental prejuízo da Petrobras se apresenta como um péssimo negócio, podendo envolver ilicitudes, as denúncias feitas por ex-diretores da conceituada empresa Siemens contra os gestores do metrô paulista são ilegalidades ululantes. Sem dúvida que as operações da Petrobras não podem se situar ao arrepio da lei e todas as investigações precisam ser feitas para o completo esclarecimento dos vultosos investimentos da estatal. Sem dúvida que o tucanoduto instalado nos trilhos do metrô de São Paulo também merecem ser investigados. Os tucanos e seus ninhais de corrupção não podem se elevar acima da lei. Se vale CPI para um, por que não valeria CPI para outro? Infelizmente, parece que o Brasil caminha, a passos largos, para a institucionalização da mais descarada hipocrisia política numa aliança mórbida entre determinadas siglas partidárias, determinados veículos de comunicação e outras tantas forças nada ocultas. As ondas de falso moralismo proliferam há muito tempo no Brasil, sendo o termo ?udenismo? sido cunhado pela tremenda ação da UDN (União Democrática Nacional), contra os governantes, seus adversários, no atribulado período que se estende de 1954 a 1964. Nos últimos 22 anos, pelo menos, esse tipo de prática piorou muito, pois inexistem espaços midiáticos disponíveis para o rebatimento das ?ondas?, assim como os grupos políticos vítimas dessa pressão carecem de vozes, em quantidade e qualidade, necessárias para a contraposição. Daí a agressiva hipocrisia tem nadado de braçada.

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