Opinião
PROFESSORA CL�UDIA MALTA
Conhecemo-nos em meados da década de sessenta do século passado, quando eu namorava sua irmã Solange, e ela a Maurício Malta. Tornamo-nos cunhados. Filha mais nova de uma família de cinco irmãos, Cláudia desde cedo se interessou por questões sociais, vindo a bacharelar-se em Serviço Social pela antiga Faculdade de Serviço Social Padre Anchieta. Em 1978, já casada, ingressou no quadro docente da Ufal onde, além da atividade de ensino desenvolvida na Faculdade de Serviço Social, coordenou por 18 anos o Núcleo Temático da Criança e do Adolescente, que ajudou a fundar. Acometida por insidiosa doença, nunca se abateu. Mesmo submetida a tratamento penoso, continuou em atividade, levando a cabo seu projeto de aprimoramento profissional, conquistando os títulos de mestre e doutor em Serviço Social. Na universidade percorreu toda a escala de progressão docente, chegando a professor associado III. Foram mais de vinte anos de luta diuturna com o próprio organismo, com determinação férrea e vontade de viver inaudita. Mas a natureza, enfim, venceu. Levou-a, mas não conseguiu apagar o exemplo de vida que legou a nós, amigos, colegas e parentes. Assim como seu exemplo, que continua vivo na memória, a expressão material de seu trabalho ? o Núcleo Temático da Criança e do Adolescente da Ufal, continua prestando o serviço a que se dedica desde sempre ? pesquisar, estudar e propor soluções visando ao resgate de crianças e adolescentes em situação de risco. Seu empenho e dedicação ao estudo das causas da marginalização de menores em nossa capital renderam-lhe tanto dissabores, quanto reconhecimento. Foi agraciada com as comendas Mário Guimarães e Amigo das Crianças, ambas concedidas pela Câmara Municipal de Maceió. O Diploma de Honra ao Mérito, outorgado pelo Fórum Permanente dos Conselhos Municipais de Direitos da Criança e do Adolescente de Alagoas e, por fim, o patronato do Núcleo Estadual de Atendimento Socioeducativo ? Neas, da Secretaria de Estado da Mulher, da Cidadania e dos Direitos Humanos. Sua tese de Doutorado, ?A (In)visibilidade de Crianças e Adolescentes?, reflete os estudos e reflexões que desenvolveu sobre as causas da marginalização de crianças e adolescentes na área de Maceió. Como escreveu D. Hélder Câmara em Sol a Pino, ?há pessoas que, pelo que são, pelo que dizem, pelo que fazem, são sempre meio-dia.? Cláudia era assim. Alegre, determinada, esperançosa e, sobretudo, comprometida com seus valores.