Opinião
A CPI ampliada e a hipocrisia hist�rica
Numa triste tradição brasileira, as Comissões Parlamentares de Inquérito têm sido usadas como arma política, solerte, contra governantes. Usando de pouca ou nenhuma investigação as CPIs têm buscado solapar lideranças legitimamente eleitas, subvertendo, no grito, o que foi sacramentado pelas urnas. Especialmente ao longo das últimas três décadas usa-se as CPIs como instrumento golpista, mormente consumado quando o processo é realizado em conluio com poderosas forças midiáticas. Infelizmente, dado a essa prática deletéria, tem muito sido desgastada essa importante ferramenta democrática que é a CPI. A atual e badalada CPI da Petrobras segue o mesmo vício arrivista, com seus articuladores buscando não o esclarecimento de malfeitos na principal estatal brasileira, mas tão-somente usar episódios polêmicos com o fito de interferência no processo eleitoral em curso. Hipocrisia comprovada pela histeria provocada em próceres oposicionistas pela contraproposta de agregar aos objetos originais da investigação os escândalos do Metrô de São Paulo e do porto pernambucano de Suape. É o que emana da reação de determinadas aves de rapina, entrando em desespero e apelando por uma interferência do STF no sentido de que os escândalos do Metrô paulista e de Suape não venham a ser investigados pela mesma CPI ? ou por qualquer outra! Ora: A Petrobras é apenas uma das denunciadas que devem respostas e merecem investigações. Mas está longe de ser a única e não pode ser usada nem como arma eleitoreira nem, muito menos, como escudo destinado a ocultar escândalos promovidos por forças autointituladas ?oposicionistas?. Os muitos malfeitos denunciados contra a longuíssima gestão tucana em São Paulo também precisam ser esclarecidos, investigados e julgados ? ou não? Estamos diante de um caso de impunidade seletiva? Os tucanos e seus aliados estão acima da lei? Não seria o momento de concentrar numa mesma CPI as denúncias assestadas contra governistas e oposicionistas, dirimindo assim as suspeitas de reles manobras eleitoreiras? Mas, como quem deve teme, tremem alguns só de pensarem na hipótese de serem abertas, ou mesmo apenas entreabertas, algumas caixas-pretas como a dos (muitos) escândalos paulistas. Daí, capricham na hipocrisia histérica.