Opinião
PETROBRAS, METR�S E CPIS
A morte de Paulo Francis, vitimado por um infarto do miocárdio, ocorreu por estar extremamente estressado perante um processo movido pela Petrobras, após uma denúncia que fizera contra a sua diretoria, então chefiada pelo sr. Joel Renó, no governo FHC. A deplorável situação de usufruto pessoal e partidária enfrentada pela maior empresa do Brasil, que já foi a 12ª do mundo e atualmente está na 120ª posição, não é inusitada, nem nova. Todavia, existe um agravamento extraordinário dessa condição inidônea e, atualmente, 78% (Datafolha, 07/04/2014) dos brasileiros acreditam em corrupção pesada na empresa do setor petrolífero. Nos últimos três anos, a Petrobras fechou 90 bilhões em contratos sem licitação. As formas usuais de contrato do serviço público, como a concorrência e tomada de preços, representam apenas 1% de seus contratos; 71% deles foram feitos por carta-convite, modelo indefensável de fechar negócios com dinheiro público. A empresa terminou o ano de 2013 com uma dívida gigantesca de 221 bilhões, um crescimento de 257% em apenas três anos, já a produção se encontra estagnada nesse período. Com o preço da gasolina (e do álcool combustível) congelado, o preço das ações despencaram. Mas seus funcionários estão tranquilos: nesse mesmo período, receberam um aumento de 51%. No Dicionário da Corte, Francis escreveu ?A Petrobras é uma excrescência e nos custa os olhos da cara. A produção das companhias internacionais é por empregado de 130 barris por dia. Nas latino-americanas é de 98. Na Petrobras, de 33 barris dia. Mas temo, que sem cesarismo, a Petrobras continue saqueando o Brasil até a nossa ruína. Seu lobby, seus inocentes úteis, a mística que criou em torno de si própria (tem um departamento de relações públicas maior que a General Motors) precisam de um antídoto elefantino?. A criação de uma CPI criteriosa e específica para a Petrobras, e outras específicas para o metrô de SP e os pepinos pernambucanos, é uma questão indispensável para a maioria de brasileiros que trabalha duramente e que sobrevive honestamente somente de seu trabalho. Misturar tudo em CPI única embaralha tudo e inviabiliza apurações judiciosas, beneficiando os que se locupletaram. As CPIs específicas e criteriosas são um dos poucos instrumentos legais que restam às minorias, essenciais na manutenção da democracia.