Opinião
VOTO � DEMOCRACIA
A essência da democracia é o voto. A vontade pessoal consolida-se em maioria na união de todos. Os gregos estabeleceram as bases do chamado sufrágio universal ? mas na época poucos votavam (vale destacar que os gregos inventaram também o ostracismo; quando os cidadãos escreviam num pedaço de cerâmica o nome do político que queriam ver exilado). Contudo, foram os romanos que inventaram a urna eleitoral. O sentimento democrático, porém, foi sufocado pela Idade Média até que veio a Revolução Francesa e o lema: liberdade, fraternidade, igualdade. Mesmo com isso em mente, as nações ? até as mais esclarecidas ? tinham opiniões contraditórias sobre a participação popular na escolha dos governantes. Nos Estados Unidos, quando da elaboração da famosa Constituição, promulgada em 1787, um parlamentar, George Mason, chegou a dizer: ?Deixar o povo escolher o presidente é como deixar um cego escolher uma cor?. Isso ficou arraigado na alma americana, tanto que, até hoje, a população elege delegados que elegem o presidente. No Brasil, a primeira votação ocorreu em 1532. Os habitantes da primeira vila fundada na colônia portuguesa ? São Vicente, em São Paulo ? foram às urnas para eleger o Conselho Municipal. Foi uma votação indireta. O povo escolheu representantes que escolheram o conselho. A primeira legislação eleitoral brasileira só surgiu em 1824 com a eleição da Assembleia Geral Constituinte, depois que d. Pedro I declarou Independência; o título de eleitor só em 1881, com a Lei Saraiva. Dez anos depois, o Brasil escolheu o primeiro presidente da República pelo voto direto, Prudente de Morais. De lá para cá, já passamos por altos e baixos com relação ao exercício do voto; e alguns períodos tenebrosos, com o povo impedido de votar pelos ditadores de plantão. Houve algumas escolhas desastrosas ao longo desse tempo, entretanto, como destacamos em artigo anterior, a pior democracia é muito melhor que a melhor das ditaduras. Estamos, na verdade, nos aprimorando: votando e aprendendo a votar, e caminhando para o fim da obrigatoriedade do voto, como acontece nos países mais avançados. Enquanto isso não ocorre, continuamos votando dentro de um processo imperfeito. A urna, que os romanos criaram, acabou eletrônica no Brasil, um dos poucos países a adotar o equipamento com características peculiares. Urge a materialização do voto, a impressão, para que não pairem dúvidas sobre a vontade popular.