Opinião
FAIXA AZUL REGRAS SUBJETIVAS
Vontade não me faltou de opinar sobre a implantação da faixa exclusiva para ônibus em Maceió. Deixei passar, assentar a poeira, fui pesquisar e, já em pleno funcionamento, ouso exprimir alguns conceitos sobre tal. Não resta nenhuma dúvida quanto à sua finalidade precípua: ordenar o trânsito nos grandes centros urbanos em prol de sua população. De início, pensa-se apenas no propalado benefício para uns e sacrifício para outros. É uma visão um tanto quanto egoísta. Economistas mais antenados têm dedicado um carinho todo especial ao bem-estar social. E um dos itens mais focados nesta questão é exatamente o transporte público, onde a faixa exclusiva para ônibus é tratada como prioridade. Menos obras para facilitar o trânsito de carros nos centros e mais estímulos para o transporte público. Diferentemente do que se promove em nosso país, sugerem o desestímulo à aquisição de automóveis, que só entalam nossas vias, levando a população ao uso do coletivo. Mas, infelizmente, o mais importante, para que isso se concretize, seria deixarmos o carro em casa e usarmos um transporte público sem o mínimo de conforto. Ao contrário de algumas cidades europeias onde, em pontos de ônibus, um relógio avisa o tempo que falta para passar o próximo coletivo, confortável. Que nos resta? Tentar suportar os congestionamentos no relativo conforto de nossos carros, em benefício de uma maioria usuária daquele péssimo transporte. E ao gestor público, não querer enfiar goela abaixo algo que, embora necessário, vem mexer com costumes arraigados. Sim, porque durante o tempo de adaptação, não houve o que se chama de fase didática, parando aqueles que por acaso infringissem as regras para mostrar-lhes como fazer o certo. O tempo, que seria para isso, foi liberado para que nos despedíssemos daquela via. Valia tudo. Pelas rádios, ouvi gestores definindo algumas regras como poder trafegar o correspondente a dois quarteirões para sair à direita. O Cepa, o Quartel do Exército e o H. do Açúcar, cada, forma um quarteirão. Portanto, cessado o período de adaptação, acho não ter sido suficiente para definir algumas dúvidas. Vai pagar o justo pelo pecador, pois sabemos que sempre haverá quem dê uma de joão-sem-braço, entrando e saindo da faixa de tempos em tempos. Definam o trajeto exato que nos cabe usar. E, depois de tudo, fica a pergunta: como os agentes de trânsito podem saber que trajeto o condutor fez ou vai fazer quando é flagrado? Está tudo muito subjetivo, mas estão multando.