Opinião
Medicina e preven��o
JOSÉ MEDEIROS * No início da década de 90, a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou outra definição para a palavra saúde, mais ampla e mais abrangente. Não somente a ausência de doença, como se explicava até então; mas saúde como significado de bem-estar físico, psicológico e social. Em termos práticos: uma estrutura corporal sã, numa mente sã, em condições favoráveis do meio ambiente em que vive o indivíduo. Este é um conceito representativo de um ideal de saúde, embora nem sempre se tenha uma saúde ideal, tão completa como prevê a OMS. Desde então, adotei uma norma própria para falar em saúde. Não digo fulano está com perfeita saúde, e sim fulano está aparentemente saudável, porque não se tem à mão RX, ressonâncias magnéticas, exames de laboratório ou de patologia. Essas considerações vêm a propósito de fatos relacionados com os temas saúde e prevenção. O Ministério da Saúde acaba de lançar a campanha: ?Aids, o preconceito tem cura?. Com toda razão, pois é grande o preconceito, mesmo de pessoas que sabem quais são os veículos de transmissão dessa moléstia. A campanha de prevenção da Aids é bem organizada, conta com recursos externos e tem boa receptividade na mídia. O que se pretende é reforçar a solidariedade, a compaixão e a compreensão que devemos ter com as pessoas infectadas pelo HIV-Aids. A outra referência diz respeito ao lançamento do Atlas de Mortalidade por Câncer - 1979 a 1999, através do Instituto Nacional de Câncer. Segundo esse relatório, aumentou a taxa de risco de morte por essa doença no país. Causa tristeza, essa conclusão. Apesar dos avanços da medicina e do esforço de atividades de prevenção, ainda são altos os índices de mortalidade. Confirma-se essa enfermidade como a da terceira causa de morte no Brasil. Compromete a qualidade de vida. Não se deve encarar essas conclusões como fatalidade. Muito se pode fazer para diminuir esses números. Campanhas educativas devem ser ampliadas. É digna de elogios a iniciativa de divulgar essas noções de prevenção nas escolas, ensinando e procurando conscientizar os jovens desses perigos. Assisti a uma das exposições do médico Marcos Davi de Melo numa abordagem digna de reflexão. Por tudo isso, prevenção é o nome da Medicina do século XXI. Milhares de vidas são ceifadas por falta de conhecimento, ausência de exames periódicos ou ainda por falta de atenção aos sintomas preliminares. Há os que - apesar de todos os cuidados, até exagerados cuidados - são surpreendidos por esse ?dragão da maldade?. Nessa hipótese, só resta lutar, lutar bravamente, não se entregar, enquanto houver um alento de vida. Muitas doenças que até pouco tempo se diziam sem remédio, hoje, são perfeitamente curáveis. Ressalte-se, por justiça e agradecimento, o empenho dos especialistas, o apoio e a solidariedade dos voluntários, a ação benfazeja de entidades como a Rede Feminina de Combate ao Câncer. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE SAÚDE E DE EDUCAÇÃO