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Opinião

O TURISMO PROFISSIONAL

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Nos anos 1920, o escritor Mario de Andrade viajou pelo Norte e Nordeste. Relatou o que viu numa espécie de diário, transformado, depois, no livro O Turista Aprendiz. Sobre Maceió, chamou nossa cidade de ?feiosinha? (isso mesmo!). Devemos desculpar o autor de Macunaíma (que fez uma pesquisa primorosa sobre o folclore nordestino): ele estava aprendendo a ser turista, e no início do século passado as condições eram mínimas para quem mergulhava na aventura de conhecer novos lugares. Passados quase cem anos, Mario, com certeza, teria, hoje, outro adjetivo para definir a capital de Alagoas. Maceió tornou-se um dos principais destinos turísticos do País. Porém, até há alguns anos, ?turista profissional? não se arriscava por aqui. Não conseguíamos atrair o turismo de eventos. Sem um aeroporto digno e sem centro de convenções, éramos deixados de lado. A rede hoteleira contentava-se com famílias em férias e casais em lua de mel. Ao assumirmos o governo do Estado no início do século 21, encontramos o caos. Precisávamos criar um mínimo de infraestrutura para oferecer suporte às ações nas áreas de saúde, educação e segurança. Diante do trabalho que teríamos para pôr Alagoas de volta aos trilhos, muitos poderiam achar que turismo não fora prioridade. Não agimos assim. Soerguemos o Estado ao tempo em que empreendíamos esforços para que mais pessoas conhecessem o Paraíso das Águas e a nossa Cidade Sorriso. O Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares foi inaugurado no dia 16 de setembro de 2005, numa parceria com o governo federal ? curioso, é que o antigo Aeroporto Campos dos Palmares começou a operar em 1928, mesma época que Mario de Andrade andou por aqui. O projeto do arquiteto Mario Aloisio evoca velas de jangadas. É, para orgulho nosso, um dos mais belos do País, e, do ponto de vista funcional, não apresenta nenhum dos problemas que outros aeroportos apresentam ? espaço reduzido, longas filas etc. Mas o alagoano também ansiava por outro equipamento fundamental para o desenvolvimento do turismo, e em outubro, também de 2005, inauguramos o Centro Cultural e de Exposições de Maceió, desta feita com recursos próprios. Um investimento de R$ 34 milhões, com 7.400 metros quadrados, e equipado com um teatro ? batizado com o nome do teatrólogo alagoano Gustavo Leite ?, de 1.260 lugares. Aeroporto e Centro de Convenções provocaram uma revolução no turismo alagoano. Se os frutos são colhidos hoje, é porque as sementes foram plantadas ontem.

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