Opinião
O SETE DE SETEMBRO NUNCA MAIS SER� O MESMO
Há poucos dias, meu avô, Carlos de Castro Lima, faleceu aos 94 anos. Nas palavras do meu querido pai, ?Foi porque não tinha jeito, mas lutou até o último minuto para não ir?. Inacreditável, mas ele se foi no ?dia da mentira?, 1º de abril. Herdei dele o primeiro nome, fui seu primeiro neto, seu afilhado. Torcíamos pelos mesmos times, o Flamengo e, principalmente, o CSA, uma de suas grandes paixões. Sempre o considerei como o ?cara? mais importante que eu conhecia. Afinal de contas, meu avô era tão especial que o seu aniversário era no dia da independência do Brasil e da fundação do CSA. Ninguém poderia ser tão importante assim! Mas ele era! Passei boa parte da minha infância em sua casa, no Centro de Maceió. Lá, nas décadas de 70 e 80, aprendi a brincar na rua de barro, jogando bola com traves de chinelos, subindo em árvores, jogando ximbra ? bola de gude é coisa moderna ?, pião e todas aquelas brincadeiras que hoje são raras. Dessa época, recordo dos sensacionais almoços de domingo com a saudosa vovó Delinha, com toda a família ao redor da mesa giratória que até hoje nos serve na casa do meu pai. E as festas de Natal e fim de ano, que varavam as madrugadas até o nascer do sol. Que tempo bom! Quando minha avó faleceu, em 1981, após 38 anos de casados, a rotina mudou e a casa também. Mas a união de todos em sua volta permaneceu. As ?lembranças? fizeram vovô se mudar para um apartamento na Pajuçara. As tardes de domingo passaram a ser de futebol. Na época, era dirigente do CSA, íamos muito ao Trapichão. Emocionante entrar em campo com o time e bater bola no intervalo dos jogos no Rei Pelé. Em 1984, vovô casou novamente. O casamento com Margarida ficou a poucos dias de completar 30 anos. Mais uma vez, mudou a rotina e a casa, mas nunca nos afastou. Começamos a ter as datas especiais para reunir a família, como Dia dos Pais, Natal e os 7 de Setembro. Sete de setembro era e sempre será o dia de seu aniversário. Ano passado, em seus 94 anos, o CSA completou 100 anos. Logo pela manhã, com seu bigode e sua carequinha inesquecíveis, foi com meu pai à festa no Mutange, recebeu homenagem do CSA e ganhou de meu pai a camisa comemorativa com a qual passou o resto do dia. Vai com Deus, vovô, e saiba que sempre estará presente nos nossos corações, e que, como sempre, comemoraremos o 7 de Setembro como o seu dia!