Opinião
Enfim, come�am as obras no moinho
Finalmente, hoje, deverão ser iniciadas as obras de segurança para a demolição da parte pendente de um dos silos do Moinho Motrisa. Felizmente durante todo esse tempo a estrutura metálica, mesmo comprometida, conseguiu segurar a grande parcela da estrutura rompida sem que novos (e previsíveis) acidentes tivessem lugar. Ao longo de 17 angustiantes dias, a população maceioense conviveu com o temor do desprendimento de parte da gigantesca parede circular, em concreto, do silo explodido. Desde o dia 7 de abril, quando aconteceu o impactante acidente no tradicional moinho da Avenida Comendador Leão, o perigo só fez aumentar, embora, depois de pouco tempo uma perigosa banalização foi como que acostumando a surreal cena do gigantesco cilindro e sua seção presa por uma ?péinha de nada?, como se falava antigamente no linguajar nordestino ? quando queria expressar surpresa por algo de maior peso e/ou volume estar seguro por algo muito fino, como uma ?pelezinha?. Mas, por sorte e pela boa qualidade do aço usado no concreto, a banda quase caída, com muitas toneladas de peso, não caiu. Segurou firme até agora. Compreende-se e aplaude-se o cuidado dos órgãos fiscalizadores para com a segurança na realização de uma operação tão complexa como a demolição do silo comprometido. Mas é enormemente preocupante a demora ? 17 dias! ? para o início de obras em se considerando os enormes perigos de um desabamento de um pedaço de concreto tão grande e pesado. Evidentemente que os órgãos responsáveis estão cumprindo seu dever, mas em casos como esse assoma a sombra da dúvida se a velha e onipresente burocracia não estaria exercendo sua nefasta supremacia. Certamente que não, mas é inegável que essa impressão paira no ar, especialmente depois que foram contestadas as orientações do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), uma instituição séria, conceituada e referência técnica e profissional para obras desse tipo. Resta saudar o início, mesmo tardio, de uma obra de grande importância para a segurança do público, ao mesmo tempo em que se torce para que o trabalho seja concluído com sucesso. E para que o Moinho Motrisa resista, corrija o que precisar ser corrigido, e volte a produzir o quanto antes. Oxalá.