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Opinião

Desumanidade

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O descaso do governo federal para com os investimentos na área social está sendo varrido para baixo do tapete e, no final dos oito anos de FHC, nem as tragédias parecem ter o poder de acender as luzes das críticas verdadeiras, construtivas. As enchentes que castigaram o Rio de Janeiro são mais um exemplo desse descaso. É evidente que os investimentos sociais não poderiam ter evitado as chuvas, mas poderiam ter prevenido a região, reduzindo a tragédia através da execução de medidas que já se encontravam planejadas e orçadas. A coluna Cláudio Humberto, em sua edição de hoje, publicada nesta GAZETA, informa sobre a extensão desse descaso, explicando como se poderia ter intervido para evitar esse cenário dantesco. Os recursos para obras de contenção e controle de enchentes no Rio de Janeiro foram objeto de emenda conjunta de toda a bancada daquele Estado. Apesar de aprovados, os recursos não foram liberados. Agora, depois da tragédia anunciada, o governo federal promete ?pingar? algum dinheiro para aliviar a dor das vítimas. Enquanto isso, o governante responsável por essa condução trágica ? de economizar verbas de interesse social para atender a todos os reclamos do sistema financeiro internacional ? é apresentado por sua própria e poderosa máquina de marketing como ?o presidente de maior sucesso no mundo no campo do desenvolvimento humano?. Parece que a ONU está precisando de óculos. Será que ao se discutir o tal prêmio de desenvolvimento humano, onde FHC foi aquinhoado, houve uma inversão desumana de critérios? O verdadeiro índice de desenvolvimento humano no Brasil ainda está para ser estudado e entendido, ou não faz parte desses critérios os investimentos sociais como os necessários e aprovados para conter os efeitos das enchentes no Rio de Janeiro? A não-liberação desses recursos não foi uma distinção aplicada sobre o Rio. A grande maioria dos estados sofreu a mesma discriminação, só que a natureza lhes foi mais camarada. Analisar e criticar essa política de FHC, mesmo ao fim de seu governo, é fundamental para o futuro.

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