Opinião
UM ANO DE SACERD�CIO
No dia 25 de abril do ano passado, estava eu entrando na Catedral de Maceió para ser ordenado padre da Igreja Católica. Lembro-me das emoções vividas, e mesmo tendo se passado vários meses, ainda as posso sentir com intensidade semelhante. É algo que me envolve por completo. Quando escutei o chamado ao sacerdócio achava que não seria capaz de empreender tão grande vocação. Via-me inapto, pois meu olhar era em mim e só enxergava minhas próprias limitações. Aprendi então que era necessário volver o olhar unicamente para Cristo e assim percebi que seria possível. Disse meu sim e anos se passaram até o dia do altar, momento em que fui ordenado padre para sempre. Recordo-me da felicidade ao entrar na Igreja dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres. Sentia uma alegria interior profunda, pois depois de tanto caminhar, agora encontrava repouso. Ali, no altar, descobri meu lugar. A paz experimentada trouxe-me a certeza que aquela celebração era um divisor de águas. Deixaria tantos projetos pessoais para iniciar um novo. Não mais me pertenceria; e isso não me assustava. Em menos de um mês, já estava na minha nova paróquia, na cidade de Porto de Pedras. Nunca havia entrado na localidade, e isso produzia um misto de alegria e sentimentos de coragem. Pensei ser esta uma verdadeira missão, pois enviado pela Igreja ia para o desconhecido, realizar um trabalho que somente Deus faria crescer. Passado um ano, reflito sobre tudo isso que vivi. Dores, alegrias, encontros e desencontros. Fui aprendendo que anunciar a Jesus Cristo é sempre um desafio e, por mais que você deseje que todos O conheçam, é difícil fazer com todos O experimentem. Aprendi que não posso centralizar o trabalho e somente com os leigos é que o alcance do anúncio da Boa Nova chega a lugares mais distantes. Fui conhecendo meus paroquianos e com eles a construção do Reino dos Céus foi se concretizando. Sim, eu não estou sozinho. Há um povo comigo. Agora, celebrando um ano de sacerdócio, vejo que toda a minha história de vida foi conduzida a isso. Deus já havia me eleito desde o ventre materno, e como me alegro por tão bela vocação. Se me arrependo? Como? Ainda continuo olhando para Jesus... Obrigado, meu bom Deus. Reconheço que este dom é teu. Feliz demais.