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Tens�es na Ucr�nia: riscos para o mundo

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Esquenta o replay da Guerra Fria nos atritos em alta na Ucrânia. Em verdade, afloram tensões muito antigas, anteriores em séculos ao curto período no qual o mundo viveu as rusgas entre a União Soviética e seus adversários, seja antes, durante e/ou depois da Segunda Grande Guerra. Embora seja incontornável a recorrência de traços semelhantes ao tempo da disputa global entre URSS e Estados Unidos, as contradições são antiquíssimas, como bem lembrou o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger. Como o experiente estadista (homem bem mais à direita que ao centro) criticou, falta aos líderes ocidentais contemporâneos e, especialmente, à Casa Branca, compreensão mínima dos problemas históricos naquela região do Velho Mundo. As declarações do atual secretário de Estado americano, John Kerry, comprovam a análise de seu famoso antecessor, deixando claro que o chanceler de Obama não tem ideia do que está a falar quando discorre sobre as tensões entre Rússia e Ucrânia. E, certamente, comete as gafes menos por ignorância e mais por escolhas erradas nas estratégias a seguir. Por incrível que possa parecer, os Democratas sugerem-se menos preparados que os Republicanos no trato do que consideram fantasmas da Guerra Fria. Como resultado desse despreparo, a Casa Branca se vê na vanguarda do apoio, cada vez mais comprometido, a um governo golpista com expressiva participação de fascistas assumidos apenas pelo fato de que esse agrupamento se posiciona contra Moscou. Mais ágil nas respostas, a Rússia tem avançado com rapidez ao explorar ancestrais contradições entre os que se assumem como eslavos e os que sonham em ser reconhecidos como europeus. E, sem surpresas, essa maioria eslava vai avançando e desfraldando bandeiras, inclusive separatistas, que ? se nunca foram o sonho de Moscou ? pelo menos, se distanciam da Kiev ?europeizada? à força por grupos nazistas como o Svoboda. Apesar de disporem de um histórico de expressiva presença na sociedade ucraniana, esses grupos ultranacionalistas e racistas sempre foram contidos, tendo participado do poder, na modernidade, em apenas dois momentos: durante a invasão nazista e nos dias de hoje. O apoio das mais poderosas nações ocidentais a esses grupos golpistas no poder apenas potencializa os riscos do repeteco não apenas da Guerra Fria, mas de uma ?guerra quente? de verdade. Um enorme perigo para o mundo.

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