Opinião
PERMISS�O MINISTRO
Leio com atenção os artigos nesta Gazeta, escritos pelo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, rara expressão de sabedoria e equilíbrio na política brasileira. Assim como eu, creio que os alagoanos têm orgulho do conterrâneo pela postura cidadã nas missões que lhes são confiadas, representando o povo de São Paulo, sua base eleitoral. No texto recente, Marqueteiros do Fracasso, faz apologia à realização da Copa da Fifa, deixando transparecer que tudo acontece impecavelmente e o evento será o maior de todos como apregoa a ?xerifona?. Para o ministro, o que se diz e escreve sobre a matéria é mera ?inspiração político-partidária que desvirtua a Copa para minar o governo...?. Pode até ser que adversários do sistema torçam pelo famoso ?quanto pior, melhor? e a gente sabe que isso existe. Tem montanhas de urubus esperando a presa virar carniça para atacar, principalmente em ano eleitoral, propício aos propagadores de mentiras. Entre agouros e realidade existe a certeza de que o evento não deixará um legado como antes imaginávamos, a começar pelo exagerado número de sedes escolhidas e estádios construídos. Em Manaus, R$ 669 milhões foram investidos pelo poder público para construir a Arena Amazonas que, após o mundial não servirá para os times locais disputarem seus jogos porque os custos são inviáveis. Brasília não tem histórico de futebol, seus clubes sequer disputam terceira divisão nas competições nacionais e na Arena Mané Garricha está enterrado R$ 1,3 bilhão. O mesmo acontece em Mato Grosso onde Luverdense e Operário vez por outra aparecem nas séries D e C e lá R$ 600 milhões ergueram um estádio de primeiro mundo que só os ?crocodilos? sabem da sua utilidade futura. Em São Paulo um mimo de R$ 1 bilhão caprichosamente para o bel-prazer do ?cara? gasto na construção Arena ?Curintia?. Muito menos da metade transformaria o excelente Morumbi no extraordinário estádio de abertura do campeonato. O que a Copa nos legará de infraestrutura, ministro? Estradas, aeroportos, terminais rodoviários, mobilidade urbana? Inevitáveis manifestações com tendência à violência, tanques de guerra nas ruas, isso é normal? Não parece ser essa a imagem que os brasileiros gostariam de exibir para mundo. Nossa seleção está pronta para ser campeã, mas o coração brasileiro sangra pela desordem aí instalada.