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Opinião

ADEUS A UMA MISSION�RIA

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Procuro de todas as formas amenizar a minha dor. Algo que me desvie destas horas frágeis, quando o mundo parece decair e as horas passam sem objetivo algum, sem perspectiva de um instante de esperança do seu regresso. Aproximo-me do computador como forma de refúgio. Será ele neste momento, o receptador das minhas lágrimas, acolhendo-as em forma de letras silenciosas, arrancando do meu peito esta angústia, incapaz de ser debelada por qualquer droga científica. Então, revelo ao mundo, o nome de Maria Zenete Tenório, minha irmã querida, que partiu para sempre, quando a madrugada rompia, dando início a um novo amanhecer nublado e monótono para todos os seus irmãos, familiares e amigos. Os viçosenses que a conheciam, através de gestos e palavras comoventes, descreveram, ao lado do seu ataúde, aquilo que nós já comprovávamos durante a nossa convivência com ela. Zenete era desprovida de vaidade. Qualquer motivo de ostentação prejudicava o comportamento simples que lhe era peculiar. Trabalhadora incansável, foi a aliada de nossos pais na luta para que seus dez irmãos alcançassem estabilidade profissional e econômica. Nós a chamávamos carinhosamente o ?Banco da Família?, e assim foi até fazer parte do mundo político, chegando a alcançar a presidência da Câmara dos Vereadores. Sem a ajuda dos maiores, distribuía os seus bens em surdina, para saldar as promessas feitas àqueles necessitados que a procurassem. Decepcionada, entristecida, de bolsos vazios, mas a consciência triunfante abandonou aquele mundo competitivo. Poderia, então, adormecer e despertar tranquila, porque jamais utilizou de meios ilícitos para se promover. A honestidade sempre foi, para ela, começo, meio e fim. Os seus automóveis foram ambulâncias vivas, serviam de meios de transportes para os necessitados, quer abastados ou mendigos. Tornou-se pobre, doente, cardíaca, mas soubemos de um modo ou de outro, retribuir os préstimos que dela recebemos. Foi para nós uma referência, uma imagem sem retoques, alguém que veio ao mundo para torná-lo mais humano. Diante do seu corpo inerte, coberto de flores, ouvimos de vários presentes palavras ungidas de prantos e sinceridade, demonstrando o quanto representava a sua ausência. Que você, minha inesquecível irmã, desfrute agora da verdadeira justiça, seja recompensada pela felicidade bem perto de Deus!

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