Opinião
A INCOMPET�NCIA DOS OUTROS
O prejuízo bilionário envolvendo a compra de uma refinaria pela Petrobras se encaixa perfeitamente na narrativa do subdesenvolvimento nacional. Como costuma ser no Brasil, pior que os fatos são as desculpas. Apesar de conflitantes, uma disse que aprovou o negócio porque não tinha informação suficiente e o outro porque não conseguiu antever o futuro do mercado, as justificativas apontam para o verdadeiro maior problema do País, a tolerância com a incompetência. Se a má gestão deixou São Paulo à beira de uma crise de abastecimento de água, não tem problema. Se, nesse caso, não teve cartel nem propina, tudo bem. O diretor responsável pela lambança na petroleira estatal terminou sendo promovido após o ocorrido, por mais incrível que pareça. Não foi o único. Alguns anos atrás, uma juíza permitiu que uma menor fosse presa em cadeia masculina. Ela foi violentada sistematicamente por diversos homens dias a fio, configurando caso de tortura de atrocidade impensável até para os padrões da ditadura. Há poucos meses, a excelentíssima foi promovida ao Tribunal de Justiça. Era sua a vaga, por direito de antiguidade. Nossa sociedade despreza a competência, o esforço e o comprometimento em nome do aclamado ?tempo de serviço?. Nas anuais ondas de greves que paralisam os serviços públicos essenciais, está sempre presente à reivindicação por um plano de carreira. Na maioria das vezes, porém, a estruturação dos cargos pleiteada se dará, única e exclusivamente, por tempo de emprego, sem que a qualidade no atendimento ao público ou a eficiência do serviço sejam sequer consideradas. Se assim agem as mais diversas categorias profissionais, inclusive médicas, é porque aprenderam com os mestres. Sim, eles mesmos, os professores, justo eles são os mais avessos a avaliações qualitativas ou medidas de desempenho. Recentemente, professores marcharam no Rio de Janeiro com placas que diziam, desavergonhadamente, ?Não à meritocracia!?. Era o exército do atraso. Todos querem transporte público confortável, atendimento fraterno no SUS e ensino de qualidade, mas são alérgicos a coisas como metas e rejeitam até mesmo incentivos financeiros, se forem atrelados a coisas demoníacas como produtividade. A coletividade clama por políticos competentes e serviços públicos eficientes, contanto que sua promoção por tempo de serviço seja mantida.