Opinião
PRIMEIRO SALARIUM
A humanidade evoluiu e organizou-se graças ao trabalho. Mas o pagamento pelo esforço desprendido na produção era feito de forma diversa, um verdadeiro escambo. Animais e peles eram usados como recompensa, até que os romanos inventaram o salarium argentum (pagamento em sal) para suas legiões de soldados. O sal era uma dádiva, servia para conservar e dar sabor aos alimentos, além de ser ótimo para cicatrização. Mesmo assim, o salário não era ainda uma instituição. Na Idade Média, os servos cultivavam a terra dos nobres e dela poderiam tirar apenas o sustento. Com o declínio do feudalismo, surgiram as corporações de ofício e os artesãos começaram a ser remunerados. A necessidade do salário consolidou-se com o capitalismo. Trata-se do preço oferecido pelo capitalista ao trabalhador pela sua força de trabalho. E o empregado sempre recebeu menos do que deveria. A diferença acumulada vai para o bolso do empregador, enquanto o operário sofre. Em maio de 1886, em Chicago, nos Estados Unidos, trabalhadores fizeram manifestações e greve pela redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. O episódio acabou em tragédia. Três anos depois, a Segunda Internacional Socialista, na França, fez do primeiro de maio uma data simbólica de luta em defesa dos operários, evocando os americanos mortos. Em 1919, o Senado francês determinou a jornada de 8 horas e proclamou o primeiro de maio feriado. A data passou a ser referência. No Brasil, a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) foi criada no dia 1º de maio de 1943. O trabalhador agradece hoje as homenagens, mas sabe que a luta por melhores salários é árdua e diária. Há alguns anos, a situação era outra no nosso país. A ditadura militar sufocou a luta trabalhista por décadas. Foi necessário que um operário metalúrgico, nascido no Nordeste, mudasse esse quadro ao tratar o salário mínimo como prioridade quando assumiu a Presidência da República. É só compararmos: quando saiu do governo em 2002, Fernando Henrique Cardoso, o antecessor de Lula, deixou o mínimo em R$ 200,00. Ao tomar posse, Dilma Rousseff encontrou o mínimo no patamar de R$ 510,00, um aumento de 155%, sendo 53,6% de ganho real, descontando-se a inflação. Como se não bastasse, foi em 2006, durante o governo Lula, que o salário mínimo brasileiro rompeu a barreira dos 150 dólares ? com FHC, em 1999, ele passou um período abaixo dos 100 dólares. A luta continua. E o trabalhador sabe que nessa luta não pode haver recuos.