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SAUDADES DA DIONE

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Chocada ainda continuo, com o adeus da querida Dione Leite Basto Beltrão, a quem me acostumei a querer bem, como uma amiga irmã, pela sua maneira meiga, sincera e especial de ser. Há mais de 25 anos, fomos vizinhas no Farol, em uma convivência agradabilíssima. Com ela, aprendi a ser melhor. Dali em diante, selamos uma corrente de carinho constante, pois sempre contei com ela, tanto no auge dos meus triunfos, ou nos reveses que experimentei. Em qualquer situação, ali estava ela, com a simplicidade que era sua marca maior, para me apoiar. Nunca nos distanciamos, era uma companheira real, dessas que é difícil de encontrar, porque sabia comungar da minha dor e levantar uma taça para me cumprimentar em cada vitória. Era muito inteligente, formada em Letras, conhecedora profunda da língua portuguesa, falava e escrevia corretamente português e francês, discorria com fluência qualquer assunto. Além dos conhecimentos técnicos e filosóficos, era sábia na escola da vida. Quando esteve enferma, passei a lhe visitar com frequência, ficava encantada como encarava, com serenidade, o drama que atravessava, vivia na esperança de ficar curada e um dia retornar a administrar o Estacionamento, de sua propriedade, lá na Rua do Sol. A verdade é que ela morreu muito cedo, partiu como partem os heróis, que deixam cair as lágrimas, pela certeza de que ainda tinha muito a fazer pelos outros. Esteve ao lado do seu esposo, Carlos Beltrão, o Carlinhos, durante quase quatro décadas, construindo uma linda família. Juntos, tiveram filhas, Liliana, Soraya e Roberta, as quais se formaram, casaram, e lhe presentearam com sete belos netos. Somente a morte foi capaz de tirar, do seio familiar, a matriarca Dione. No seu ar, existirá sempre uma cadeira vazia, esperando alguém que não voltará mais a sentar ali. Mas, ficará registrada a marca dessa mulher guerreira que foi chamada para uma missão maior no céu. Sua imagem continuará gravada em minhas retinas e em meu coração. Perco, com sua mudança para o Altar de Deus, uma amiga aqui na terra! Porém, os sinos que continuam batendo, assinalando tão triste partida, trazem também a convicção de que a casa do pai eterno está enfeitada, pela chegada de uma alma pura, que só soube semear bondade e amor entre todos. Finalmente, nesta hora de tanta dor, me junto aos seus familiares e amigos, derramando lágrimas de saudades, pedindo a Jesus Nazareno, conceder-lhe muita luz e paz, na morada eterna.

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