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Opinião

Afeto-terapia

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CAVALCANTI BARROS * A GAZETA DE ALAGOAS do dia 3 de dezembro, em oportuno editorial, abordou o tema da violência, um problema de especial e cruciante importância, nos nossos dias. Sabe-se que as tentativas de solução não se esgotam. As autoridades, ninguém pode negar, até se excedem em novas medidas. Mas não basta às autoridades brasileiras tornarem efetiva uma política de ações mais fortes. ?Há que desenvolver, também, novos ambientes, visando criar condições psicológicas primitivas no seio da sociedade?. Conscientizá-la, acima de tudo; e pelos meios mais diretos, de que os efeitos positivos não serão alcançados a curto prazo; mas que é imprescindível acioná-los já. Ninguém deve eximir-se, alegando que a sociedade, como um todo, não tem instrumentos de ação; e só o governo é capaz de tê-los. Isso não deve abrir caminhos a um ?cruzar de braços?, alimentando uma frágil e fugídia esperança, que se posta numa linha de horizonte cada vez que nos julgamos estar perto dela. As armas da sociedade são abstratas, mas são eficientes ao serem acionados com dedicação, com amor e com responsabilidade consciente. Não somente se necessita de convocação para desfiles com faixas, inundando as artérias da cidade. Importa conscientizarmo-nos de que, no âmbito familiar, plantemos imediatamente a semente da afeto-terapia; que não somente é um dever dos pais em relação a seus filhos. ?É em casa, induvidosamente, que se pode dar as boas referências para a formação do caráter do indivíduo... ?Não se deve deixar a criança à deriva. Não devemos descurar dos nossos filhos. Sem afeto que os retenha amavelmente no lar, eles se expõem a ?evangelizações? lantejouladas por parte de futuros ?fiéis amigos?, na rua. Esses, são ?professores? de ética às avessas, com aulas práticas de pedinchamentos. E mais: orientam no exercício do roubo da ?trombada?, do latrocínio e das drogas. A família, mesmo enfrentando o desequilíbrio de uma circunstância financeira ou outra miséria que o século XXI acumula esse desenfreio como a um montão de lixo, sem estar encontrando espaço embaixo do tapete. Entretanto, a nenhum pai ou mãe é dado o direito de abandonar seus filhos. É seu dever mantê-los no bojo de uma vida ética e harmoniosa. É sábia a sentença: ?Criança de hoje é o homem de amanhã?. E esse trabalho de preparar nossos filhos, cabe à família; que não utiliza armas de repressão ou armamentos outros sofisticados. A família tem uma arma muito mais poderosa: a afeto-terapia, repetimos. Esta arma não se compra. Está à disposição dos pais, desde o nascimento de seus filhos. Enquanto psicólogos, antropólogos, sociólogos ou profissionais de áreas afins não começam a esboçar esse plano salvador, façamos nós do nosso jeito, a nossa parte. Assim, mesmo que a longo prazo, estaremos colaborando, efetiva e eficientemente, com as autoridades para que sejam amenizados pelo menos, os anúncios das obras prioritárias de governo, como a construção de mais presídios de segurança máximas (embora incapazes de evitar fugas). Façamos, portanto, a nossa parte. Para diminuir a superlotação dos presídios e inversamente evitar esvaziar as salas de aula das nossas escolas. Comecemos agora. Isso é trabalho para ontem. (*) É ADVOGADO

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