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Opinião

CUIDADOS COM O MEIO AMBIENTE

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Nasci numa fazenda que era um santuário ecológico. Ao amanhecer, acordava ouvindo verdadeira orquestra de pássaros. Mesmo no verão, o sol não chegava a cauterizar toda a vegetação, na qual se escondiam teiús, perdizes e codornas. Hoje, o aprazível recanto, à margem do Velho Chico, está reduzido a terra calcinada. As árvores foram queimadas para ceder lugar ao capim, alimento do gado, que, este sim, não resistiu às estiagens prolongadas e transformou o local num verdadeiro Saara. Cito a velha fazenda, hoje cuidada pelo amigo Fernando Lima Dias, mas não há nela novidade alguma. O hábito da queimada, ao longo do tempo, da caça desordenada, sem controle, a devastação ostensiva para aproveitamento de madeira sem o necessário replantio, tudo isso transformou a zona rural brasileira num projeto de cenário desértico. Faltou à minha geração, pela omissão do poder público, melhor conscientização da importância fundamental da defesa da ecologia. De três décadas para cá, vozes adultas e infantis fazem coro na reclamação de melhor tratamento do meio ambiente. Mesmo assim, os crimes ecológicos acontecem diariamente. A Constituição Federal de 1988 foi a primeira em nossa história a cuidar da proteção da natureza, dispondo que todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, e que se impõe aos governantes e à coletividade o dever estrito de defendê-lo. Órgãos governamentais se queixam de escassos recursos, deficiência de pessoal para controle e fiscalização. Conselhos especializados realizam acurados estudos, propostas salutares e medidas acauteladoras. Não há como negar o esforço de entidades na luta pela preservação; do Ministério Público, também. Ambientalistas acusam o Ministério do Meio Ambiente de ser excessivamente normativo, de existir apenas para inglês ver e sentir. Em miúdos: apenas uma satisfação pública à comunidade internacional. Raciocino que, preservar a natureza, é problema de governo, mas é, também, corresponsabilidade social. É questão grave que merece a maior atenção. Deve ser prioridade na escola. Já estamos pagando alto preço por esse descaso secular. A Mata Atlântica reduzida está à expressão mais simples; extensos claros de queimadas marcam a mato-grossense, um imenso lago fluvial, que está se transformando em lagoas rasas e cascalho. O Nordeste pede clemência e socorro. Será isso que pretendemos legar às próximas gerações?

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