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PESSOAS QUE N�O DEVERIAM MORRER

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Se nos perguntassem: Quem você gostaria que não morresse? Acho que a maioria responderia, sem pestanejar, meu pai e minha mãe, e, quem tem filhos, a lista dos intocáveis começaria por eles. Mas, não quero falar neste artigo dos nossos interesses individuais e nem das pessoas que amamos e que gostaríamos que fossem eternas. Quero tratar aqui daqueles que são importantes para a humanidade e que não fazem falta apenas às suas famílias, mas a dezenas delas, aqueles que fazem história e que se notabilizam pelos seus feitos. Na verdade, gostaria de prestar uma homenagem a dom Thomáz Balduíno, que faleceu nessa sexta-feira, dia 02.05, mas nunca será esquecido, assim como dom Helder Câmara, Irmã Dulce e outros tantos, que dedicaram suas vidas a causa dos oprimidos, os que fizeram opção verdadeira pelos pobres, aqueles que não esperavam votos, não queriam retorno, praticavam o bem por princípio. Num mar de lama e de corrupção que vivemos, destacam-se as personalidades, que, cotidianamente, trabalham para melhorar a vida daqueles, que os que ganham robustos salários para fazê-lo, não o fazem. Não são de esquerda e nem de direita, são cristãos apenas, e esta condição perpassa e supera todas as demais, ao menos, para aqueles que creem em Deus. A luta para ter mais, ser mais, se destacar mais, ter mais votos, não fazia parte da ambição deste grande homem, lutava diariamente para servir mais, ser mais útil à comunidade. Lutou toda a vida pela defesa dos pobres da terra, dos indígenas e por justiça social. Morre aos 91 anos o bispo da reforma agrária e dos indígenas, nos deixa de herança a sua luta e o seu legado de coragem e esperança, um exemplo de vida para todos aqueles que buscam uma sociedade mais justa e igualitária. Foi um baluarte na época da ditadura quando alguns latifundiários perseguiram e assassinaram algumas lideranças de trabalhadores. Recebeu condecorações pelo Brasil afora e, também, no exterior, sempre como reconhecimento do seu compromisso na luta contra a miséria que assola o mundo. Ocupou cargo público e renunciou por sentir que não contribuía no avanço das mudanças almejadas. Que sejam estes os nossos ídolos, que nos ajudam a resgatar o verdadeiro sentido da vida, ou seja, enxergar o próximo é caminhar para além da nossa individualidade.

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