Opinião
Criminalidade disfar�ada de torcida organizada
Em mais um episódio aterrador da violência no futebol, um vaso sanitário foi utilizado como arma mortal. O ato criminoso, conforme amplamente noticiado por toda imprensa brasileira, foi perpetrado na cidade do Recife, no último fim de semana. Os bandidos chegaram ao requinte de covardia e perversidade de arrancarem mais de um vaso sanitários dos banheiros do Estádio do Arruda, atirando dois deles sobre torcedores desavisados. Jogados de altura considerável, os objetos não poderiam causar nada diferente: ferir e matar. Paulo Ricardo Gomes da Silva, de 26 anos, atingido em cheio, não resistiu. O horror dessa ocorrência é agravado porque esse não é um fato isolado. Esse acontecimento fatal faz parte de um problema seríssimo: a escalda da criminalidade entre as torcidas. Fenômeno internacional, o enraizamento da violência por parte de grupos de torcedores pode ser identificado a partir da projeção sangrenta dos temíveis hooligans, gangues de baderneiros britânicos que fizeram-se famosos por sua arruaças a partir dos anos 60. Da Inglaterra, essa atividade perniciosa se espalhou para outras partes do mundo, gerando um novo vocábulo ? hooliganismo. Depois de décadas de esforços, combinando ações preventivas e repressoras, a polícia do Reino Unido conseguiu refrear o ímpeto desses grupelhos de criminosos travestidos de torcedores. Mas a praga havia se difundido. E chegou ao Brasil. Há muitos anos que o vandalismo das torcidas é preocupante e tem feito vítimas. Nos últimos tempos, facilitada pelo uso aberto das redes sociais, essa forma de banditismo tem crescido assustadoramente; sem que as autoridades demonstrem capacidade de os responder à altura esses grupos criminosos têm se tornado mais usados e violentos. O caso do assassinato no Estádio do Arruda é apenas mais uma manifestação dessa tragédia. Note-se que o principal suspeito pelo assassinato do torcedor Paulo Silva é figura carimbada pelos registros policiais sobre confrontos entre torcidas e já teve presença denunciada em vandalismos realizados até em Maceió. E o pior disso tudo é que, em função do vale-tudo eleitoral, existem forças nada ocultas que estimulam a agressividade dessas quadrilhas como participantes de movimentos do tipo ?não vai ter Copa?. Um erro criminoso, como pode ser visto.