Opinião
APELAR AO DIVINO
Passando a semana fora de Maceió, entre um congresso médico internacional em São Paulo e no Rio de Janeiro para visita à familiares, o que chama a atenção é a diferença entre as duas metrópoles; parecem não duas cidades, mas dois países diferentes: a belíssima cidade do Rio está suja e aparenta decadência. E escafedeu-se o bom humor carioca: uma greve depredou 467 ônibus em um dia. A mídia concentra suas atenções em duas questões: a violência e a política. Fica claro que os linchamentos públicos (no Brasil, a média é um por dia!), como o de uma dona de casa inocente no Guarujá, são uma demonstração de falência do Estado. Os números mostram: 90% dos crimes não são investigados, quando investigados e presos os criminosos, logo estão livres e se são menores de 18 anos, e por mais perversos e reincidentes, o Estado não os penaliza conforme o fazem a maioria das nações democráticas. Daí, pela ausência do Estado, instala-se a barbárie, o fazer justiça pelas próprias mãos, como na Idade Média. O Congresso, em compasso de tartaruga e com chicanas variadas, tardiamente define que sairão duas CPIs para a Petrobras e também uma para o metrô paulista. Criam-se justas dúvidas se chegarão a resultados concretos. A política e o futebol, seja para o bem ou para o mal, se reencontram: Felipão convoca sua seleção e logo explodem manifestações públicas contra os elevadíssimos gastos da Copa, confrontando-os com a deplorável situação na segurança pública, na saúde e nos serviços públicos em geral. Marina fala com Deus e Lula, malandramente, manipula sua fé fundamentalista. O mal-estar nacional pode melhorar transitoriamente com a Copa, mas, logo depois, precisaremos da Marina intermediar junto ao Criador para que os candidatos levem ao debate público e abram suas posições sobre coisas fundamentais, como a maioridade penal; o controle dos gastos públicos; a corrupção e a impunidade. Só mesmo Deus.