Opinião
A li��o tucana de como encarar CPIs
Ao retirar sua assinatura de um pedido para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, o deputado alagoano Dudu Holanda, como aliado do PSDB, nada mais fez que seguir à risca um mandamento determinado por todo e qualquer governo tucano: CPIs jamais! O mantra contra CPIs que investiguem seus governos é berrado ao contrário pelos tucanos quando se trata de governantes adversários. E, justiça seja feita: essa dualidade ética tem sido amplamente vitoriosa nos dois sentidos. O PSDB tem conseguido emplacar CPIs contra seus adversários e, simultaneamente, impede que seus gestores venham ser incomodados por Comissões Parlamentares de Inquérito. E mais, muitos inquéritos além do Parlamento, como algumas investigações policiais de alto calibre que possam, de alguma forma, alcançar essas bicudas aves de rapina. No item investigações explosivas sumidas da mídia (será que estão andando na esferas policiais?), destaca-se o silêncio ensurdecedor desabado sobre o caso do helicóptero com meia tonelada de pasta de cocaína; detido pela Polícia Federal no estado do Espírito Santo, a aeronave traficante pertencia a uma família de políticos mineiros que se esmeravam em apoiar a candidatura de Aécio Neves, a ponto de um dos membros do clã, exercendo o posto de deputado estadual em Minas Gerais, manter em seus endereços nas mídias sociais fotos nas quais aparecia abraçado com um sorridente Aécio, identificando-o nas legendas como ?nosso futuro presidente?. Alguém sabe algo sobre essa investigação? Na demolição de CPIs contra os governantes tucanos, estes são ainda mais eficientes. O governo Fernando Henrique Cardoso é o grande campeão em aborto de CPIs, sem falar na incrível marca de 217 processos arquivados e outros 242 processos engavetados pela Procuradoria-Geral da República durante o período 1995-2003, o que valeu ao emérito procurador Geraldo Brindeiro o título de Engavetador-Geral da República. Parece brincadeira, mas não é. Trata-se de um método, uma forma particular de fazer política. Esse modus operandi nefasto, abertamente manipulador da ética em sua prática política cotidiana, está indócil e empolgado para voltar a dar as cartas no Planalto Central. E, para esse retorno, está contando com o apoio irrestrito da chamada ?grande mídia?. Parece sério. E é mesmo.