Opinião
A disputa presidencial e a dan�a das pesquisas
Foram pouco comentadas, pela grande mídia, as mais recentes pesquisas, apesar de apontarem para uma forte possibilidade de segundo turno presidencial, o que é uma novidade em relação às enquetes anteriores. Por que a discrição? Não só discreta, a grande mídia deixa escapar como que um suspiro de cansaço e decepção por conta da ainda grande diferença entre Dilma Rousseff e Aécio Neves. Mágoa tamanha que os tucanos emplumados, inclusive e particularmente o condestável FHC, vociferam sobre quão nocivo é um mesmo partido permanecer tanto tempo num mesmo posto de poder. Tem certa lógica, afinal completar-se-ão 12 anos de presidência petista ? porém, esquecem-se, as aves bicudas em seu chilrear estridente, que no governo do Estado de São Paulo esses mesmos tucanos estão empoleirados há 19 anos e cinco meses; e não abrem mão de mais uma reeleição. Ah: mas o que é imoral, ilegal ou engorda nas outras siglas é moral, legal e diet no bico tucano ? basta comparar o resultado do mensalão mineiro e o do PT... Toda a revolta elitista contra o favoritismo de Dilma Rousseff têm impulsionado o senador Aécio num desesperado e extenuante esforço de campanha que teve seu início ainda em outubro de 2012. Desde então, puxado à fórceps pelo ex-presidente FHC e por todos os principais caciques tucanos, está em curso o mais demorado e sofrido trabalho de parto eleitoral que se teve notícia na história brasileira. Depois de 19 meses de frenética campanha, segundo um dos institutos mais badalados, em maio de 2014, o candidato tucano ? enfim ? teria alcançado 20% de intenções de votos, galgando quatro pontos percentuais em relação à enquete anterior, ao mesmo tempo em que a favorita Dilma, desumanamente bombardeada por mais de 19 meses, caiu um ponto percentual. Eduardo Campos, o plano B das elites do Sudeste-maravilha, subiu modesto um ponto. Para quem precisa de muito mais, de fato, o resultado é triste. Mas a tênue performance tucana prenuncia o recrudescimento das baixarias na chamada ?grande mídia?, que agora terá de fazer das tripas coração em mais ataques, e bem mais ferozes, à presidente Dilma e, por tabela, ao Brasil.